Indígenas lideram greve geral em 7º dia de protestos no Equador
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quinta-feira, 10 de outubro de 2019
Sylvia Colombo – Folhapress 
Quito - No sétimo dia de protestos no Equador, duas grandes manifestações "pela democracia e pela paz" aconteceram em Quito e em Guayaquil, convocadas por organizações sociais e com a presença de membros da oposição ao presidente Lenín Moreno.

Os atos desta quarta (9), que também marcou a realização de uma greve geral, criticaram a repressão violenta contra indígenas, que chegaram a tomar por um curto período a Assembleia Nacional do país.
Pela tarde, na avenida de Los Shyris, tradicional local de manifestações na capital equatoriana, havia centenas de pessoas abraçadas a bandeiras do Equador e soprando cornetas. Em Guayaquil, para onde a sede do governo foi transferida na segunda (7), opositores como Jaime Nebot e Cinthya Viteri comandavam uma marcha.
Se durante a tarde os atos foram pacíficos, houve violência pela manhã, quando grupos indígenas tentaram se aproximar do palácio de Carondelet, sede do governo nacional. O grupo, porém, foi barrado algumas quadras antes pela polícia, que lançou bombas de gás lacrimogêneo. Após uma semana de atos, o saldo das manifestações é de 700 pessoas detidas e duas mortes.
Durante todo o dia, o centro permaneceu com ruas bloqueadas e houve muito policiamento. Em outras áreas, mais afastadas das vias centrais, Quito parece uma cidade fantasma. O comércio está fechado, e apenas alguns pequenos mercados abriram.
Num ponto de ônibus de Cumbayá, no caminho entre o aeroporto internacional Marechal Sucre até o centro de Quito, oito pessoas se acotovelavam na traseira de uma caminhonete. "Não tem ônibus e preciso ir trabalhar", disse à reportagem Danny Lescano, 27, ao subir no veículo e garantir o único lugar vago que havia.
Fora alguns poucos táxis, não havia transporte público na capital, e quem tinha um veículo um pouco maior aproveitou para ganhar uns trocados.
O trânsito infernal e o ruidoso comércio de rua que sempre caracterizaram Quito desapareceram. Poucas pessoas caminhavam nas ruas, exceto aquelas que se dirigiam à marcha.
O levante ocorre devido a um acordo assinado em fevereiro com o FMI (Fundo Monetário Internacional), que garantirá um empréstimo de US$ 4,2 bilhões (R$ 17,05 bilhões) ao país. Em contrapartida, o governo tem de adotar medidas austeras, como o corte de um subsídio a combustíveis em vigor há 40 anos. A decisão gerou um aumento de até 123% nos preços da gasolina e do diesel e revoltou a população.


