São Paulo - O presidente do Sudão, Omar al Bashir, foi declarado ontem oficialmente reeleito com 68% dos votos nas eleições realizadas há duas semanas -as primeiras multipartidárias no país africano após 24 anos-, segundo a comissão eleitoral local.
O pleito havia sido boicotado por alguns dos principais candidatos. E opositores alegaram ontem fraude para rejeitar o resultado. Observadores internacionais relataram a ocorrência de irregularidades, como atrasos e intimidações, mas não pediram recontagem de votos.
Bashir, que chegou ao cargo em 1989, num golpe militar, é o único mandatário do mundo no poder a ter mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional, sob acusação de crimes de guerra e contra a humanidade no conflito em Darfur. A eleição visa conquistar apoio interno e legitimar seu mandato externamente.
Desde 2003, 300 mil pessoas morreram e 2,7 milhões foram deslocadas devido ao conflito, segundo estimativas da ONU.
O pleito antecede ainda referendo previsto para janeiro que pode resultar na independência do semiautônomo sul -cerca de 25% do território e dos 42 milhões de sudaneses-, conforme cronograma do acordo de paz de 2005, firmado depois de 23 anos de guerra civil que deixou até 2 milhões de mortos.
Após a divulgação do resultado, Bashir disse na TV estatal que o povo sudanês ''obteve vitória moral aos olhos do mundo'' e prometeu trabalhar por governo de união e respeitar a realização do referendo -que motiva temores de violência caso não seja bem-sucedido.
No semiautônomo sul, de maioria cristã e animista -o norte é de maioria islâmica-, o presidente local, Salva Kiir, foi reeleito com 93% dos votos. A expectativa é de que Kiir se alinhe a Bashir. De Juba, capital de um eventual ''Sudão do Sul'' -que nasceria como país mais pobre do mundo, segundo a ONU-, Kiir reiterou a defesa da manutenção da estabilidade a fim de viabilizar a consulta.

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