Após os ataques terroristas contra Washington e Nova York, atribuído a pessoas de descendência de países do Oriente Médio, muçulmanos e árabes-americanos de todos os Estados Unidos revelam que passaram a ser atacados, ameaçados e assediados.

Frank Silva Roque, um homem acusado de matar a tiros um imigrante indiano e de disparar contra outros membros de minorias no subúrbio da cidade norte-americana de Phoenix, teria escolhido suas vítimas por motivos raciais. A informação foi dada pelo promotor do condado de Maricopa, Rick Romley, que é o responsável pelo caso.

O assassinato de Balbir Singh Sodhi, um sikh, ontem à noite, do lado de fora de seu posto de gasolina, no bairro de Mesa, gerou protestos na Índia e um telefonema do primeiro-ministro Atal Bihari Vajpayee ao presidente George W. Bush.

Silva Roque, de 42 anos, foi formalmente acusado por assassinato de primeiro grau, quatro tentativas de assassinato e três disparos em um carro em movimento. Ele está preso sob fiança de US$ 1 milhão.

Depois de atirar em Sodhi, Silva Roque dirigiu-se em seguida a um segundo posto, onde disparou diversas vezes contra uma janela sem atingir um funcionário, que é descendente de libaneses, informou a polícia. Na sequência dirigiu-se à casa de uma família de descendentes de afegãos, onde voltou a efetuar disparos. Ninguém ficou ferido.

Na Índia, a comunidade sikh expressou ontem sua indignação em relação ao assassinato de Sodhi. Um membro do gabinete indiano e outros líderes sikhs reuniram-se com funcionários da embaixada americana em Nova Délhi. Os indianos pedem que o governo dos Estados Unidos dê proteção aos membros da minoria religiosa surgida há 500 anos no norte da Índia.

Durante a conversa telefônica com Vajpayee, ''o presidente dos EUA prontamente assegurou que tomaria medidas para prevenir este tipo de ataque'', segundo o ministério de Relações Exteriores indiano.

Sodhi, de 49 anos, que emigrou da Índia há 10 anos, conversou com seu pai, sua mãe, sua mulher e três filhos em uma remota cidade do interior do estado de Punjab no domingo. Seis horas mais tarde, ele foi morto a tiros.

Os homens sikhs, que não são nem árabes nem muçulmanos, usam barba e turbante cobrindo seus cabelos longos. Sua aparência, e as facas que usam como parte de sua indumentária, lembram séculos da luta dos sikhs contra os invasores muçulmanos do Punjab, uma região agora dividida entre a Índia e o Paquistão.

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