Índia suspende fogo aéreo na Caxemira
Associated Press
De Nova Délhi
Artilheiros paquistaneses abriram fogo nesta segunda-feira contra uma estrada indiana na Caxemira, em um dos bombardeios mais intensos em oito semanas, apesar de indicações anteriores de um cessar-fogo de fato entre os dois países envolvidos.
No momento dos disparos, um comboio de jipes transportando jornalistas e um grupo de caminhões-tanque passava pelo local e os motoristas aceleraram para fugir do ataque. Não foi possível confirmar imediatamente se algum veículo foi atingido.
Mais cedo, a Índia suspendeu seus ataques aéreos para facilitar a retirada de guerrilheiros separatistas que se infiltraram na parte indiana da Caxemira, mas advertiu que não se trata de um cessar-fogo.
Além disso, Nova Délhi informou ter pedido ao Paquistão que retire todos os invasores antes de sexta-feira.
O governo indiano, que assegura haver soldados paquistaneses entre os rebeldes separatistas, advertiu ontem que qualquer invasor encontrado do seu lado da linha de controle - que divide a Caxemira entre a Índia e o Paquistão - após o vencimento do prazo será tratado como um elemento hostil e medidas adequadas serão tomadas.
Por sua vez, o primeiro-ministro do Paquistão, Nawaz Sharif - que no domingo acertou com a Índia um acordo de retirada para pôr fim ao pior conflito entre as duas potências nucleares em quase 30 anos -, pediu à Índia a retomada de conversações sobre o disputado território da Caxemira, pelo qual os dois países rivais travaram duas de suas três guerras.
Acredito que o propósito da ocupação de Kargil pelos mujahedins (guerreiros sagrados) era atrair a atenção mundial para a questão da Caxemira, disse Sharif. Concordando em sair dessas colinas por nosso apelo, os mujahedins criaram uma oportunidade que irá, se Deus quiser, levar à liberação da Caxemira.
O Paquistão busca a pressão da comunidade internacional sobre a Índia para que seja realizado, sob comando das Nações Unidas, um plebiscito para determinar se o território indiano, de maioria muçulmana quer manter-se indiano ou tornar-se paquistanês.
Os Estados Unidos esperarão a retirada total dos invasores para, então, encorajar a retomada do diálogo entre a Índia e o Paquistão, indicaram ontem altos funcionários norte-americanos, acrescentando que novas conversações poderão demorar vários meses por causa da falta de confiança entre Nova Délhi e Islamabad e por causa da mobilização pelas eleições indianas, que se realizarão em setembro.
Ainda ontem, um comandante da Força Aérea indiana, marechal Vinod Patney, revelou que estava preparado para uma guerra total logo após o início dos ataques contra as posições dos rebeldes muçulmanos. Patney disse à imprensa que durante a operação de 49 dias, cerca de 550 missões de ataque, 150 missões de reconhecimento e 500 de escolta a vôos foram realizadas, e acrescentou que apenas 25% das forças do comando foram usadas na operação.Nova Délhi decide facilitar retirada de guerrilheiros separatistas da parte indiana da Caxemira. Paquistão quer plebiscito no território
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