Índia sonha em se tornar uma superpotência
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de agosto de 2007
France Presse 
Aos 60 anos, a Índia sonha em se tornar uma superpotência: uma ambição afirmada por sua performance econômica, sua potência nuclear e o retorno com força ao cenário internacional. Mas o gigante demográfico ainda está longe de sair do subdesenvolvimento.
A Índia celebra no dia 15 de agosto o 60º aniversário de sua independência, e se deixa cortejar pelas previsões dos bancos estrangeiros que a colocam no terceiro lugar no ranking mundial em 2025, diante do Japão. Para 2050, o colosso asiático se imagina no corpo a corpo com a China, derrubando os EUA.
No momento, seu Produto Interno Bruto ultrapassa um bilhão de dólares, o que faz dela a 11 economia do planeta. O crescimento é estimado em 9,4%, o segundo maior do mundo, atrás do rival chinês.
Arranha-céus, centros comerciais e vias rápidas crescem nas megalópolis de Mumbai, Nova Délhi, Madras ou Bangalore. A Bolsa se mostra eufórica. Os investimentos estrangeiros afluem. E, sobretudo, há um ano, conglomerados familiares passam a controlar empresas ocidentais.
Magnatas da finança em Mumbai ou da informática em Bangalore, estrelas de Bollywood, escritores ou esportistas aparecem como ícones de uma Índia triunfante. No total de 1,1 bilhão de indianos, mais de 100.000 são milionários em dólares e 70 milhões possuem salários equivalentes aos praticados no Ocidente.
No concerto das nações, Nóva Délhi, potência atômica quer ser reconhecida como um ator regional e mundial. A Índia e os EUA fizeram acordo sobre a energia nuclear civil, consagrando sua aproximação, após a Guerra fria.
A Índia se impõe como escala dos chefes de Estado americano, russo, chinês ou europeus. Ao lado do Brasil, ela está na linha de frente na confrontação entre países ricos e emergentes na Organização Mundial do Comércio (OMC).
No entanto, de um total de 457 milhões de trabalhadores, nove em dez ganham menos de meio dólar por dia; 46% das crianças com menos de três anos sofrem de desnutrição, a taxa de alfabetização chega a 60% da população e 78% dos indianos não possuem banheiros nas casas.
A Índia conta com o maior número de soropositivos no mundo. A ''maior democracia do mundo'' também vem sendo presa da corrupção, ensanguentada pelo terrorismo em meio a tensões religiosas e entre as castas.


