A Índia assegurou ontem que não haverá uma trégua para facilitar as negociações com o Paquistão enquanto as milícias e as forças do exército paquistanês não retornarem ao outro lado da fronteira que divide a Caxemira. ‘‘Não entra em questão negociar um cessar-fogo. Nossa posição é muito clara. Todos os que se infiltraram em nosso território pela parte paquistanesa, inclusive as tropas paquistanesas, devem retroceder para trás da linha de controle’’, declarou ontem o ministro de Defesa indiano, George Fernandes.
Tropas indianas e paquistanesas protagonizaram ontem fortes enfrentamentos na fronteira da Caxemira, região dividida entre os dois países. Pelo sétimo dia consecutivo, as forças aéreas indianas prosseguiram com os ataques contra posições dos guerrilheiros na localidade fronteiriça de Kargil. Tropas de fronteira indianas dispararam ainda contra dois aviões de reconhecimento paquistaneses que violaram o espaço aéreo da Índia.
Antes da chegada à Índia do chanceler paquistanês, Sartaj Aziz, o ministro de Defesa indiano assegurou que na Caxemira há ‘‘uma espécie de guerra’’. No entanto, Fernandes ofereceu aos mercenários uma saída segura da Caxemira se quiserem voltar ao Paquistão.
O primeiro-ministro do Paquistão, Nawaz Sharif, voltou a negar as acusações de que seu país teria enviado mercenários afegãos e soldados regulares ao outro lado da fronteira para erguer posições em montanhas de importância estratégica. Na parte indiana da Caxemira só há ‘‘lutadores pela liberdade’’, disse Sharif. Índia e Paquistão, que há um ano realizaram testes nucleares, já se enfrentaram em três ocasiões, duas delas devido à região da Caxemira.

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