Índia e Paquistão discutem risco nuclear
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domingo, 15 de julho de 2001
France Presse De Agra, Índia 
O presidente paquistanês Pervez Musharraf e o primeiro-ministro indiano Atal Bihari Vajpayee mantiveram conversações francas e construtivas sobre a maneira de evitar uma guerra nuclear, o conflito na Caxemira e assuntos comerciais, ao iniciarem ontem o primeiro encontro formal em dois anos entre os líderes dos dois países. Além disso, acertaram para breve um novo encontro.
Os chefes dos dois governos pareciam tranquilos ao trocarem um prolongado aperto de mãos antes de iniciarem as conversações que duraram boa parte da tarde de ontem. As discussões incluíram alguns temas como a redução do risco nuclear, afirmou Sushma Swaraj, ministro da Informação da Índia.
Vajpayee aceitou um convite de Musharraf para visitar Islamabad. Isto reflete a disposição de ambas as partes de resolver as questões, declarou o secretário paquistanês de Informação, Anwar Mahmud. Os líderes se reuniram privadamente durante mais de duas horas, e depois chamaram seus ministros. Eles prosseguirão as conversações durante a noite e hoje pela manhã, segundo um comunicado do governo indiano.
A primeira rodada foi cordial, franca e construtiva, segundo a porta-voz indiana Nirupama Rao.
Um funcionário do escritório de Vajpayee, presente nas discussões, disse que se tratou sobre a proposta de um gasoduto do Irã até a Índia que passaria pelo Paquistão, sobre o terrorismo fronteiriço e sobre concessões comerciais bilaterais.
Musharraf tentou limitar-se ao tema da Caxemira, mas um funcionário que pediu para não ser identificado,disse que, finalmente, cedeu e discutiu sobre outros temas.
Segundo os indícios, as conversações tiveram êxito, disse o analista de Defesa C. Raja Nohan. O que isso poderia significar é que ambaas as partes encontraram uma forma através da qual podem expressar suas principais preocupações: a exigência do Paquistão de negociações formais sobre a Caxemira e a preocupação indiana em relação ao terrorismo na zona fronteiriça.
A posição de Musharraf sobre a Caxemira é a de que a disputa não deve ser resolvida militarmente. Pode e deve resolver-se pacificamente, assinalou o líder paquistanês.
A província da região do Himalaia tem sido motivo de inimizade durante as últimas cinco décadas e de duas das três guerras entre os dois países do sul da Ásia desde sua independência da Grã-Bretanha em 1947.
Para receber Musharraf em Agra, a 180 km da capital indiana, Nova Délhi, as autoridades convocaram a polícia antimotins e construíram barreiras ao longo das estradas. Barcos patrulheiros estão encarregados de vigiar o rio por trás do monumento Taj Mahal marco emblemático da herança cultural hindu e muçulmana, que Musharraf visitou, ao lado da esposa Sehba, após as conversações da tarde de ontem.


