Índia defende testes nucleares
Jay Shankar
France Presse
France PresseVajpayee diz que Ocidente é culpado por corrida armamentistaO premier indiano, Atal Behari Vajpayee, defendeu ontem no Parlamento sua decisão de fazer testes nucleares, e fez recair a responsabilidade nos países ocidentais acusados de não terem levado a sério as preocupações indianas sobre desarmamento mundial.
‘‘Agora a Índia já é uma potência nuclear. É um fato que ninguém pode negar’’, disse Vajpayee, 71 anos, em um discurso em Nova Délhi na inauguração de uma sessão parlamentar, ao mesmo tempo que a vizinha e inimiga nação do Paquistão reafirmava que vai responder mais cedo ou mais tarde com seu próprio teste nuclear.
‘‘É o direito da Índia, o direito de uma sexta parte da humanidade (...) não é nem um favor que pedimos, nem um estatuto que outros devem nos dar’’, disse Vajpayee, muito criticado pela oposição.
Seu discurso constitui sua primeira explicação pública detalhada (exigida pela oposição) das razões dos cinco testes atômicos subterrâneos.
Esses testes, nos dias 11 e 13 de maio, foram condenados pela comunidade internacional e fizeram da Índia objeto de sanções econômicas.
Vajpayee assegurou que seu país, ao realizar essas provas, quis ficar fora de alcance das ameaças nucleares. ‘‘Não pensamos utilizar essas armas como meio de agressão. São armas de autodefesa’’, assinalou.
O premier disse que a Índia, que fez seu primeiro teste atômico em 1974, talvez não tivesse feito outros testes se suas exigências de um desarmamento mundial desde os anos 50 tivessem sido levadas a sério.
‘‘Lançamos no passado várias iniciativas. Lamentamos que não recebessem uma resposta positiva por parte das outras potências nucleares’’, assinalou.
Disse que não vê ‘‘nenhuma indicação por parte das potências nucleares de medidas decisivas e irreversíveis’’ a favor de um desarmamento nuclear total, e deplorou que o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) ‘‘perpetue’’ a existência de armas nucleares de cinco países.
A Índia se recusa a assinar o TNP, assim como o tratado que proíbe os testes nucleares (CTBT), por considerá-los discriminatórios.
Vajpayee também destacou mais uma vez uma ‘‘degradação gradual de nosso meio ambiente em matéria de segurança, resultado de uma proliferação nuclear e de mísseis’’, sem chegar, no entanto, a mencionar diretamente seus países vizinhos China e Paquistão, considerados como ameaças por Nova Délhi. Também disse que a Índia era ‘‘vítima do terrorismo apoiado desde o exterior’’, fazendo uma clara alusão ao Paquistão, acusado de ajudar os separatistas muçulmanos da parte indiana de Caxemira.

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