O governo da Índia celebrou ontem o primeiro aniversário de sua declaração como uma potência nuclear, dizendo que seu preparo para a guerra a armou para a busca da paz.
Mas numa tradição de protestos não-violentos iniciados por Mohandas K. Ghandi, ativistas antinucleares deram início no norte a uma marcha cruzando todo o país, começando pelo local do teste subterrâneo de Pokharan, como parte de um esforço para advertir para o perigo de uma guerra devastadora.
Falando a cientistas ontem em Nova Délhi, o primeiro-ministro Atal Bihari Vajpayee disse que os testes nucleares da Índia provaram que a nação ‘‘não pode ser intimidada’’ por ninguém, e que a ‘‘Índia irá, de agora em diante, buscar a paz de uma posição de força - e não de fraqueza’’. ‘‘Temos agora uma atmosfera de paz e cooperação na região melhor do que nunca’’, afirmou Vajpayee.
A Índia realizará novos testes nucleares se for necessário, declarou Vajpayee. ‘‘Faremos novos testes nucleares ou de mísseis se for necessário para a nossa defesa, a fim de que nenhum país ouse no futuro atacar a Índia’’, acrescentou.
O governo indiano já havia forçado a porta do clube das potências nucleares com cinco testes realizados em maio de 1998 e negociava com os EUA uma adesão ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear em troca do reconhecimento das necessidades indianas na questão da dissuasão atômica.
Por sua vez R. Chidambaram, secretário da Comissão de Energia Atômica indiana informou que a magnitude dos três primeiros testes realizados em 1998 foram de 60 quilotoneladas de TNT cada um, três vezes a potência da bomba que arrasou Hiroxima em 1945.
A Índia fez um teste com as três primeiras bombas, incluindo uma termonuclear, em 11 de maio de 1998 e dois dias depois testou outras duas que poderão ser utilizadas num campo de batalha.

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