Três dias depois do terremoto que sacudiu a Índia, as equipes de resgate continuam a trabalhar visando encontrar sobreviventes. Ontem, um bebê, abraçado ao cadáver de sua mãe, foi resgatado dos escombros de um edifício devastado pelo sismo. A criança foi encontrada coberta de sangue quando os esquadrões de resgate trabalhavam para remover o cadáver da mulher, afirmou R. K. Thakur, um funcionário da defesa civil. ‘‘Foi um milagre!’’, disse ele. Outra criança foi resgatada com vida com Phachau, uma aldeia situada a 95 quilômetros do epicentro do terremoto da última sexta-feira. Ainda ontem, uma mulher de 40 anos, Kusumben Myacha, foi resgatada ao entardecer na devastada cidade do oeste da Índia, após ter passado três dias sem água, orando a seus deuses hindus. Seus gritos não eram ouvidos até a segunda noite após o terremoto, de 7,9 graus na escala Richter. Mas, no início da manhã de domingo, as equipes de resgate começaram a tentar libertar um bebê dos escombros de um edifício de apartamentos de sete andares. Myacha foi quem passou mais tempo soterrada a ser encontrada com vida.
De acordo com cifras oficiais, o abalo sísmico de magnitude 7,9 deixou 6.287 mortos. Mas as autoridades locais estimam que o número possa passar dos 20.000.
‘‘As esperanças de sobreviventes serem encontrados diminuem a cada hora. Mas enquanto houver esperanças, não nos daremos por vencidos’’, garantiu Joachim Ahrens, porta-voz da agência do governo suíço responsável pela equipe de resgate em Bhuj. ‘‘As esperanças são menores, mas ainda não estão mortas’’, insistiu. De acordo com ele, a equipe suíça resgatou sete pessoas ontem.
Outra história incrível ocorreu com um jovem casal indiano, soterrado sob os escombros de sua casa durante mais de dois dias depois do terremoto. O casal sobreviveu lembrando os bons momentos de seu casamento, informou ontem a imprensa indiana. O jornal Indian Express publicou em sua primeira página a foto em cores de Chirag e Piyalee Patel de mãos dadas, um com uma perna quebrada e o outro com um dedo engessado.
Chirag contou que no momento do terremoto, na manhã da sexta-feira, levou às pressas sua mulher para um canto de seu prédio de quatro andares, que ‘‘se movia como um avião que atravessa uma zona de turbulências’’.
O teto e as paredes do prédio desabaram e uma viga caiu em direção ao casal, mas foi detida a 1 metro de suas cabeças pelos escombros.

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