A Índia aceitou ontem a oferta do Paquistão de reduzir a tensão na região da Província da Caxemira disputada pelos dois países, informou oficialmente o governo paquistanês ontem em Islamabad. Até a tarde, porém, as autoridades de Nova Délhi ainda não tinham confirmado essa informação, limitando-se a declarar que a proposta, entregue na véspera, estava sendo considerada. Sem descartar a hipótese de se chegar a uma trégua com os paquistaneses, o presidente indiano, Atal Bihari Vajpayee deixou claro que ‘‘não há como deter’’ o combate aos guerrilheiros da Caxemira.
De todo modo, o ministro das Relações Exteriores paquistanês, Sartaj Aziz, estava disposto a viajar para a Índia nos próximos dias para acertar a distensão.
Índia e Paquistão já travaram três guerras desde a independência da Grã-Bretanha, em 1947 - duas delas por causa da Caxemira, cuja população é de maioria muçulmana e luta por autonomia.
Na quarta-feira a situação entre Índia e Paquistão tornou-se mais tensa quando caças da Força Aérea indiana invadiram o espaço aéreo paquistanês para atacar supostas bases de guerrilheiros separatistas da Caxemira. O Exército paquistanês garante ter abatido dois desses caças. Os indianos, por sua vez, asseguram que os aviões caíram por causa de problemas mecânicos. Fontes independentes indicaram que pelo menos 29 soldados indianos já morreram na ofensiva aérea contra os separatistas da Caxemira.
O corpo de um dos pilotos foi entregue ontem às autoridades indianas, que acusaram os paquistaneses de ter disparado contra ele depois de ter-se ejetado. A entrega ocorreu na região de Kargil, na fronteira entre os dois países e onde os soldados dos dois lados tinham sido postos em estado de alerta.
Apesar da perspectiva de distensão entre os governos indiano e paquistanês, os rebeldes da Caxemira rejeitavam toda a possibilidade de somarem-se ao cessar-fogo. ‘‘Essas negociações nada têm a ver conosco’’, afirmou o porta-voz do Lashkar-e-Tayyaba, uma das guerrilhas que atua na Caxemira indiana, Abdullah Muntazir. ‘‘Não estamos preocupados com o resultado dessas conversas porque não o acataremos.’’
Nova Délhi acusa o Paquistão de estar reforçando a guerrilha na Caxemira com ‘‘mercenários afegãos’’ que estariam desfechando ataques em território
indiano.
Os dois países possuem capacidade nuclear para aniquilar o adversário. Ontem, primeiro aniversário dos últimos testes atômicos paquistaneses, houve desfiles em várias partes do país.

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