Associated Press
De Jacarta
A Assembléia Consultiva do Povo, o mais alto órgão legislativo indonésio, endossou na quarta-feira (data local) a decisão de Timor Leste de separar-se da Indonésia, pavimentando o caminho para que a ex-colônia portuguesa se transforme na mais nova nação do mundo.
A aceitação da independência de Timor Leste pelos 700 deputados da Assembléia foi votada na mesma sessão em que a Assembléia rejeitou por estreita margem um programa do presidente B.J. Habibie, colocando em xeque o seu governo.
Momentos antes da votação, o chanceler indonésio, Ali Alatas, já havia afirmado que a Indonésia entregará às Nações Unidas a administração de Timor Leste até o fim do ano.
‘‘Todas as facções aceitaram o resultado do referendo’’, disse o presidente da Assembléia Consultiva do Povo Amien Rais, em sessão tarde da noite, referindo-se ao plebiscito realizado no final de agosto em Timor Leste e no qual a população local votou esmagadoramente em favor da independência.
A votação foi uma formalidade após uma comissão formada por todas as 11 facções da Assembléia ter concordado, na véspera em ratificar o resultado do plebiscito conduzido pelas Nações Unidas em Timor Leste, que pôs fim a 24 anos de um domínio às vezes brutal de Jacarta.
Tropas da força internacional de paz em Timor Leste afirmaram ter encontrado uma cova coletiva com cerca de 20 corpos na cidade timorense de Liquiça, informou o porta-voz das tropas lideradas pela Austrália, coronel Mark Kelly.
Mais tarde, entretanto, oficiais da ONU colocaram em dúvida a informação. Segundo o tenente-coronel Enrique Reske, da missão da ONU em Timor, foram encontrados não mais que oito corpos dentro da cova.
Localizada a cerca de 35 quilômetros a leste da capital timorense, Díli, Liquiça foi uma das áreas mais atingidas pela campanha de terror promovida pelas forças paramilitares contrárias à independência do território.
Em abril, a cidade foi cenário de um dos episódios de violência que mais chocaram a comunidade internacional: o massacre de pelo menos 20 pessoas, que estavam em uma igreja e foram mortas a golpes de foice por militantes leais a Jacarta.
Ao mesmo tempo, grupos de assistência humanitária tentam colocar ordem no retorno dos refugiados que se encontram em Timor Oeste. De madrugada, cerca de 200 civis chegaram a Timor Leste e, assim como os poucos milhares de refugiados que retornaram da província vizinha desde a semana passada, correm desesperadamente em busca de alimentos.Parlamento indonésio endossa independência de Timor Leste e reprova prestação de contas de Habibie: sucessão presidencial está indefinida
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