Pristina, Sérvia - O primeiro-ministro de Kosovo, Hashim Thaçi, confirmou ontem que a independência da província do sul da Sérvia será proclamada hoje, dia em que, segundo ele, ''o desejo dos cidadãos de Kosovo'' será realizado.
''Amanhã (domingo) será um dia de calma e de compreensão mútua, e o dia do compromisso do Estado com a realização do desejo dos cidadãos do Kosovo'', declarou Thaçi à imprensa depois de se encontrar com representantes religiosos em Pristina.
Os Estados Unidos e vários grandes países da União Européia (UE) expressaram nas últimas semanas a intenção de reconhecer a independência de Kosovo logo depois de sua proclamação.
Ao contrário, as autoridades de Belgrado, apoiadas pela Rússia, e os sérvios de Kosovo, que representam pouco menos de 10% da população local, são opostos à independência da província.
Sérvia e Rússia advertiram na última quinta-feira, durante discussões no Conselho de Segurança da ONU, que nunca aceitarão a independência de Kosovo.
Hashim Thaçi insistiu em que o processo que deve levar à declaração da independência é conduzido pelos dirigentes de Kosovo ''em coordenação'' com os ocidentais. Ele garantiu que a segurança dos sérvios e das demais minorias será garantida em um Kosovo independente.
Esta declaração aconteceu algumas horas depois de os países da UE terem autorizado o envio de uma missão de polícia e justiça, a Eulex, que será encarregada de acompanhar a independência de Kosovo.
A Eulex deve substituir a Missão da ONU em Kosovo (Minuk), que administra a província desde 1999, ano do fim do conflito entre as forças sérvias e guerrilha separatista albanesa.
Clima
Segundo observadores internacionais, um clima festivo tomou conta de Pristina, anteontem. As pessoas tomaram as ruas, agitando bandeiras do território por toda a parte.
Em alguns outdoors distribuídos pela cidade era possível ler agradecimentos aos Estados Unidos e ao Reino Unido pelo apoio à independência. ''Celebre com dignidade'', diziam os cartazes. ''Para um bom início. Kosovo dá boas-vindas ao futuro.'' Toneladas de fogos de artifício já teriam chegado à província vindos da Bulgária.
No entanto, os mesmos analistas afirmam que o clima entre os mais de 10 mil sérvios que vivem em Kosovo é bem diferente. Não houve um movimento de êxodo significativo, mas alguns membros da comunidade decidiram passar os próximos dias na Sérvia.
O ministro do Exterior da Sérvia, Vuk Jeremic, pediu ao Conselho de Segurança da ONU que se oponha à independência de Kosovo. Ele afirmou que não será usada força para impedir a separação, mas advertiu que a medida seria um sinal verde para os movimentos separatistas.
A ONU administrava Kosovo até dezembro de 2007, desde que uma campanha militar da Otan expulsou as forças sérvias acusadas de perseguir a maioria de origem albanesa da província, em 1999.

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