Dubai O reinado de Saddam Hussein parece terminado, mas o presidente iraquiano, que dominou durante um quarto de século seu país e exerceu uma influência notável em toda a região, pode sentir-se satisfeito pelo fato de não ter nenhum sucessor à vista. Os americanos, no entanto, procuram de todas as formas promover personalidades da oposição iraquiana tão desiguais quanto Ahmad Chlabi ou o octogenário Adnan Pachachi.
No momento, Washington pretende colocar o Iraque pós-Saddam Hussein sob uma administração militar antes de estar em condições de dotá-lo de um poder civil.
O conceito de ''direção colegiada'' foi apresentado recentemente, propondo uma autoridade que reflita a diversidade étnica e religiosa do país, integrado, entre outros, por xiitas, sunitas e curdos.
Durante uma reunião em fevereiro passado, no Curdistão, que escapa ao controle de Bagdá, a oposição nomeou um conselho de seis membros que supostamente refletiria essa diversidade. Mas as divergências que surgiram de imediato evidenciaram as dúvidas que existem sobre a viabilidade de uma estrutura com estas características.
Em Londres, a oposição se pronunciou, em dezembro passado, por um período de transição e havia um plano para a criação de um ''conselho soberano'' de três membros, com um governo de coalizão.
As especulações em torno de um ''Karzai iraquiano'', a exemplo do dirigente afegão Hamid Karzai, que chegou ao poder em meio à operação americana naquele país, também dominaram o cenário político.
Os nomes evocados com maior frequência eram os dos opositores ou generais que abandonaram o Iraque, como Nizar al Jazraji, Fauzi al-Chemmari e Najib as-Salhi.
Mas os Estados Unidos fizeram saber que os iraquianos do interior também seriam chamados a se unir a uma futura administração do país. Estes iraquianos se declararam contrários a um governo provisório, provocando a desesperança dos opositores liberais que querem terminar com o controle do Partido Baath, que governou o Iraque durante muito tempo.
A situação é ainda mais complicada pelo eventual papel dos vizinhos do Iraque.

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