Berlim - O chanceler social-democrata (SPD) Gerhard Schroeder e a democrata-cristã (CDU/CSU) Angela Merkel encerraram a campanha para as eleições legislativas de hoje expondo visões radicalmente diferentes do futuro da Alemanha.
As pesquisas mostram Merkel em boa posição para se tornar a primeira mulher cancheler, mas o aumento da popularidade de Schroeder nos últimos dias pode impedir a democrata-cristã de formar um governo com os liberais do FDP (Partido Liberal Democratas Livres).
Ao mesmo tempo, entre 20% e 30% do eleitorado permanece indeciso. Merkel e Schroeder percorreram o território nas últimas horas de campanha para defender seus planos de incentivo à maior economia da Europa, com o objetivo de criar fontes de trabalho para 4,7 milhões de desempregados.
A campanha, a mais curta da históra do pós-guerra na Alemanha, é tão disputada que os dois maiores partidos do país romperam a tradição de encerrar os trabalhos dois dias antes de votação e continuarão a tentativa de persuadir o eleitorado até o fechamento das zonas eleitorais, no domingo às 16H00 GMT (13H00 de Brasília), mesmo sem a participação de Merkel e de Schroeder.
No entanto, ontem os dois demonstraram toda a vontade de vencer e visitaram o estado mais habitado da Alemanha: Renânia do Norte-Westfalia. Foi justamente a derrota nas eleições regionais de maio neste estado, um antigo reduto social-democrata, que levou Schroeder a antecipar a votação legislativa em um ano.
''Ele anunciou que criaria dois milhões de empregos, mas o que temos agora? Um milhão e meio de pessoas a mais sem trabalho'', afirmou Merkel, diante de 3.000 pessoas na noite de sexta-feira em Berlim, citando números questionados pelo SPD. A ex-física da antiga Alemanha Oriental afirmou que o Partido Democrata Cristão (CDU) e os liberais merecem a oportunidade de reviver a economia do país.
Schroeder declarou, diante de 15.000 partidários em um discurso quase simultâneo na capital, que os conservadores destruiriam a ''solidariedade social da nação''. Com a voz rouca depois de mais de 100 comícios partidários, Schroeder afirmou que Merkel tem ''o desejo mas não a capacidade'' de governar o país. Ressaltou que apenas ele pode resolver os profundos problemas econômicos sem dar o maior peso da tarefa aos pobres.
''Nós tivemos que explicar aos eleitores que só podemos manter nosso sistema de bem-estar social se o reformarmos'', disse Schroeder, em defesa de seu polêmico pacote de reformas econômicas conhecido como a Agenda 2010. ''Foi um processo necessário e estou convencido de que é o adequado'', acrescentou.
Schroeder reconheceu que os cortes nos benefícios que introduziu custaram apoios políticos, sobretudo dentro do próprio partido. Porém, explicou que as reformas finalmente começaram a apresentar resultados e a diminuir a taxa de desemprego, superior a 11%.
O Partido Social Democrata (SPD) de Schroeder reduziu a vantagem do CDU de Merkel, modificando as bases de uma eleição que há duas semanas parecia apontar a vitória dos conservadores.
Uma pesquisa do Instituto Allensbach publicada ontem pelo jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung dá aos democrata-cristãos 41,5% das intenções de voto e aos liberais do FDP 8%, apenas o suficiente para formar um governo.
De acordo com a pesquisa, os social-democratas têm 32,5% das intenções de voto e seu aliado na coalizão, o Partido Verde, 7%. Uma aliança rival, o Partido da Esquerda, formado por dissidentes do SDP e ex-comunistas, tem 8,5% da preferência do eleitorado.
No entanto, as pesquisas mostram que um em cada quatro eleitores ainda não tomou uma decisão. Isto significa que não é possível saber se Merkel poderá formar a aliança que deseja ou se será obrigada a criar uma grande coalizão com os adversários do SDP. Os indecisos podem mudar radicalmente o resultado da eleição e o panorama político.

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