A demora na proclamação do vencedor das eleições para a escolha do vice-presidente paralisou a empobrecida economia paraguaia, segundo a generalizada queixa dos empresários.
Miguel Carrizosa, membro da Câmara de Veículos Importados e um dos líderes da Federação para a Produção e o Comércio, afirmou ontem que ‘‘o país está esgotado e o povo não pode continuar vivendo ao sabor dos assuntos políticos’’.
‘‘A economia está parada’’, acrescentou Carrizosa, para quem é preciso ‘‘colocar um fim na questão das eleições, saber quem é o novo vice-presidente e começar a trabalhar pelo país’’. O presidente da Câmara Paraguaia da Carne, Néstor Méndez, reforçou ser necessário revitalizar a economia, mas disse que ‘‘ninguém faz nada porque está esperando o resultado final (das urnas), como se isto pudesse mudar a situação’’.
De acordo com a Justiça Eleitoral, o opositor Julio César Franco, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), tem pouco mais de 1% dos votos de vantagem sobre Félix Argaña, candidato do governante Partido Colorado.
Segundo um dos três ministros da Justiça Eleitoral, Rafael Dendia, ‘‘talvez amanhã à noite (hoje) possamos conhecer os resultados finais’’ das eleições. Ele explicou que a tarefa é lenta ‘‘porque é manual e minuciosa, e há cerca de 10 mil atas eleitorais que precisam ser verificadas’’.
Concordando com os empresários, o ministro da Economia, Frederico Zayas, alertou para a urgência de levar adiante o plano de emergência fiscal por ele apresentado ao Executivo há cerca de 30 dias porque, do contrário, ‘‘chegaremos ao final do ano sem dinheiro para cumprir com os compromissos locais e internacionais’’.
A proposta de Zayas prevê um aumento dos impostos dos maiores contribuintes: combustíveis, cigarros e bebidas alcoólicas.
Dados econômicos mostram que 16% da população paraguaia está desempregada e que há no país 1,7 milhão de pobres, dos quais 64% vivem na miséria.

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