A vaidade cedeu o lugar ao medo de perder, na última semana da campanha eleitoral argentina. Durante um programa de televisão, o presidente Carlos Menem admitiu à apresentadora Mirtha Legrand que possui um implante de cabelo. Vale tudo para agradar à população para as eleições deste domingo 26. Somente serão renovados 50% da Câmara de Deputados, mas o tratamento dado pela imprensa e pelos protagonistas - os políticos - lhe conferem dimensões de eleições presidenciais. É que o vencedor deste domingo poderá obter a presidência em 1999.
Nas duas últimas semanas, o governo começou a atacar duramente a oposição, unida em uma coalizão com os dois principais partidos opositores: a União Cívica Radical (UCR) e o Frepaso. A idéia do governo, afirmam os analistas, é conquistar o voto dos indecisos que, na principal arena eleitoral, a província de Buenos Aires, alcançam os 16%: um eleitorado fundamental, quando apenas 3% separa as duas principais candidatas, a senadora Graciela Fernández Meijide, pela Aliança Opositora, de Hilda ‘‘Chiche’’ de Duhalde, pelo Partido Justicialista (peronista). Nesta província estão 40% dos eleitores do país, o aval necessário para as eleições de 1999.
Para seduzir os indecisos, a polêmica é a arma principal: ‘‘Se não fosse pela imprensa, o governo estaria ganhando as eleições com 60 ou 50% dos votos’’. O autor das palavras foi o ministro da Economia Roque Fernández. Menem discordou, mas há um mês causou polêmica ao utilizar uma expressão de Benjamin Franklin: ‘‘a lei da paulada’’, que propõe à pessoa atingida por uma informação da imprensa executar pessoalmente uma revanche.
Menem enfoca seus ataques sobre a oposição com o fantasma da hiperinflação ocorrida durante o governo do ex-presidente Raúl Alfonsín. Fantasma que os argentinos não esquecem. Para complicar, Alfonsín não ajuda, e nos últimos seis dias repetiu duas vezes que ‘‘um pouquinho de inflação não faz mal’’. Seus colegas não sabem como fazer Alfonsín calar-se. O ex-presidente é o coordenador da companha da Aliança e o principal alvo de Menem. Como nas eleições presidenciais de 1995, o governo aposta que os indecisos vão preferir a fórmula ‘‘estabilidade com desemprego’’ que ‘‘empregos com inflação’’.
A Aliança rebate os temores que o governo tenta criar. Rodolfo Terragno, presidente da UCR, disse que não há perigo de retorno à inflação na Argentina, já que ‘‘a inflação está morta em todos os países da América Latina’’. Menem reforçou seus ataques colocando em dúvida o futuro do próprio modelo econômico. Ele disse que não garante que ‘‘o modelo esteja consolidado’’ e que no caso de uma vitória da Aliança Opositora ‘‘pode ocorrer algum descarrilamento’’.

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