Indecisos definirão eleição no Equador
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quinta-feira, 09 de julho de 1998
Das agências 
Meio milhão de equatorianos, que a três dias das eleições presidenciais não sabem em que candidato votar, serão os que definirão o novo presidente do país, disse ontem o diretor de um instituto particular de pesquisa. Segundo a empresa Cedatos, o meio milhão de votos representa 15% do total de eleitores, que é de 7,1 milhões de votantes. No início do segundo turno a diferença entre Jamil Mahuad e Alvaro Noboa era de 25 pontos percentuais, mas agora é inferior a 10 pontos, disse o diretor da Cedatos, Polibio Córdoba.
Na última semana pudemos observar que a indecisão subiu alguns pontos até situar-se nos 15%, acrescentou o analista, que se absteve de dar números em observância à legislação eleitoral.
O magnata da banana Alvaro Noboa e o prefeito de Quito, Jamil Mahuad, foram os mais votados nas eleições de 31 de maio e se enfrentarão nas urnas domingo.
Apesar da estreita margem de diferença entre os candidatos, Córdoba opina que Mahuad mantém possibilidades de triunfar.
Instabilidade O novo presidente deve pôr fim à instabilidade política e econômica iniciada em 10 de agosto de 96, quando o mandatário deposto, Abdalá Bucaram, chegou ao poder. Bucaram, líder do Partido Roldosista Ecuatoriano (PRE), venceu o direitista Jaime Nebot, do Partido Social Cristão (PSC), com um programa eleitoral populista de conflito entre ricos e pobres. Sua campanha foi baseada no pressuposto de que ele estava defendendo a maioria pobre do país enquanto Nebot representava apenas o interesse da minoria rica.
Uma vez no poder, Bucaram definiu uma política econômica liberal - propôs um plano de livre convertibilidade da moeda ao estilo argentino - e imprimiu um estilo político desconcertante: dançou com um conjunto de rock, cantou em eleições para a escolha da rainha da beleza e entregou seu salário aos mendigos. Logo proliferaram denúncias de corrupção. Funcionários públicos estariam pedindo dinheiro na concessão dos contratos públicos para alimentar os cofres do partido de Bucaram. A crise institucional se agravou em fevereiro de 97 quando surgiram movimentos em todo o país pela saída do presidente.
Os partidos se aproveitaram da situação. O Congresso incapacitou Bucaram de governar e elegeu como presidente interino Fabián Alarcón, um político hábil que chegou à presidência do Congresso. A situação na época foi traumática. O país viveu um caos com três dirigentes exigindo a presidência: Bucaram, sua vice, Rosalía Arteaga, e Alarcón, situação que só se definiu com a pressão das Forças Armadas em favor do último.


