Incidentes violentos já registrados são considerados normais nas circunstâncias
Chega a Kosovo o enviado da ONU
O brasileiro Sérgio Vieira de Mello, nomeado por Kofi Annan, assegura que volta dos refugiados é maior prioridade
France-PresseRecepçãoA população de Pristina recebe, com entusiasmo, a chegada dos soldados da Otan que formam a força de paz destinada a garantir a implementação do acordo concluído com o governo da Iugoslávia. Nem mesmo os incidentes envolvendo soldados britânicos obscureceram a alegria dos kosovoaresFrance-Presse
O representante especial da ONU em Kosovo, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, encarregado de criar um governo autônomo para a Província, chegou ontem a Pristina, declarando que a volta dos refugiados a seus lares é a maior prioridade. Este é o primeiro e principal trabalho humanitário, disse Vieira de Mello, diplomata nomeado pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan, administrador interino para Kosovo. Sua nomeação faz parte da resolução das Nações Unidas, adotada na quinta-feira passada, segundo a qual foi autorizada a entrada na província de Kosovo de uma força internacional de paz, a KFOR, liderada pela Otan.
A chegada de Vieira de Mello ocorre no mesmo dia da morte de dois soldados e de um civil sérvios, cuja responsabilidade é atribuída ao Exército de Libertação de Kosovo (UCK) e de um policial, também sérvio, por pára-quedistas da Otan. Logo depois, informou-se que soldados alemães da KFOR mataram três soldados sérvios em um tiroteio em Prizren (sul da província de Kosovo). A AFP constatou que um soldado sérvio morreu e outras três pessoas ficaram feridas, entre elas um soldado alemão da KFOR.
Ao ser perguntado sobre a situação do conjunto da segurança na província, Vieira de Mello respondeu:
Acho que é inevitável que aconteçam incidentes lá ou aqui. No entanto, Vieira de Mello afirmou que a mobilização da força internacional reduzirá estes incidentes ao mínimo.
Ajuda humanitária O primeiro comboio de ajuda humanitária das Nações Unidas entrou ontem em Pristina para prestar ajuda ao milhão e meio de habitantes de Kosovo que tiveram que fugir da violência, informou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), em Genebra. O comboio partiu de Skopje às 5 horas da manhã de Brasília e atravessou a fronteira entre a Macedônia e Kosovo meia hora depois, disse uma porta-voz do Acnur, Judith Kumin. O comboio, composto de 50 veículos, dos quais 32 são caminhões que levavam 250 toneladas de alimentos e ajuda não alimentar (cobertores, água e produtos de higiene), destinados aos desabrigados dos arredores de Pristina, permitirá às agências humanitárias da ONU restabelecer sua presença na capital kosovar, a qual haviam deixado um dia antes dos primeiros bombardeios da Otan, em 24 de março passado.
O Acnur não soube informar quanto tempo precisará para chegar da fronteira até Pristina, por causa do péssimo estado das estradas, dos possíveis riscos de minas e da confusão que reina no local por causa da presença de tropas russas no aeroporto da cidade.
O projeto do Acnur, que enviou 15 delegados no comboio, é estabelecer um quartel-general no aeroporto.
Isto dependerá das negociações entre a Otan e os russos que se instalaram no aeroporto. É preciso esperar para ver o que acontece, mas esperamos poder estabelecer pelo menos uma primeira equipe hoje (domingo), disse Kumin.





