Porto Príncipe - Vários incidentes violentos foram registrados no Haiti ontem, um dia depois de uma intervenção policial mal-sucedida na quarta maior cidade do país, Gonaives (200 mil habitantes), para tentar retomar o poder dos rebeldes que pedem a renúncia do presidente Jean-Bertrand Aristide. Desde quinta feira, diversas manifestações violentas tem sacudido o país.
Testemunhas e emissoras de rádio haitianas afirmaram no sábado que entre três e sete policiais foram mortos durante a operação policial que tentou sufocar a rebelião na cidade. Um dos chefes rebeldes, Winter Etienne, da Frente de Resistência Revolucionária da Artibonite (FRRA), fez um balanço de 14 policiais mortos, mas o número não pode ser confirmado por fontes independentes. Imagens divulgadas pelas redes de televisão mostraram corpos jogados pelas ruas e homens com armas de fogo, pedaços de pau e facões patrulhando a cidade.
Os meios de comunicação informaram ontem vários incidentes em outros locais do país, com barricadas incendiadas na capital. Ao oeste de Porto Príncipe, na cidade de Grand-Goave (49 mil habitantes), a oposição ao presidente Aristide incendiou a delegacia, segundo rádios da capital. As mesmas fontes afirmam que também foram erguidas barricadas de fogo no sábado à noite e ontem de manhã em Cap-Haitien.
Ao Norte da capital, em Saint-Marc, sobre a estrada em Porto Príncipe e Gonaives, testemunhas indicaram no sábado que a delegacia caiu nas mãos dos opositores e os presos em um edifício próximo foram libertados.
O presidente Jean-Bertrand Aristide, que se nega a considerar a renúncia, participa das negociações realizadas pela Comunidade dos Países do Caribe (Caricom) para tentar resolver a crise pela qual o Haiti passa desde 2000. As recomendações da Caricom são, entre outras, a libertação dos opositores presos, o desarmamento dos grupos próximos ao governo e a liberdade de manifestação pacífica da oposição.
Aristide, no entanto, garantiu que os líderes da rebelião em Gonaives serão presos e julgados.

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