Incidentes aumentam a tensão na Embaixada
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de janeiro de 1997
Marcelo Brusa, 
da France Presse
LIMA - O clima de tensão em torno da residência do embaixador japonês, tomada há 36 dias por guerrilheiros esquerdistas que mantêm 73 reféns em seu poder, aumentou nas últimas horas em seguida a uma série de incidentes noturnos com armas de fogo, durante ataques simulados por forças policiais, e ao sobrevôo de helicópteros.
A paz noturna do bucólico bairro limenho de San Isidro foi quebrada ao amanhecer. Na residência tomada por um comando do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA) foram ouvidos primeiro dois tiros e, depois de uma pequena pausa, uma rajada de arma automática.
Este incidente - o quinto desde o começo da crise - ao que parece não causou nenhum ferido e permanecia sem nenhuma explicação oficial.
Ontem, um helicóptero policial sobrevoou várias vezes a casa do embaixador japonês, onde ministros, embaixadores, parlamentares e generais passavam seu 36º dia de cativeiro. Terça-feira, unidades das tropas especiais da polícia efetuaram ataques simulados perto da residência tomada, aproximando-se até de sua porta. Alguns policiais chegaram a atirar pedras contra a casa.
Segunda-feira, os guerrilheiros do MRTA chegaram a disparar, pela manhã, três rajadas de armas automáticas para o ar. Em comunicação posterior através de rádio, o líder rebelde Néstor Cerpa explicou que os disparos eram uma advertência.
Fujimori reiterou que não cederá à chantagem do terrorismo, e recusou qualquer possível libertação de presos ou mudanças em sua política, oferecendo apenas como opção aos rebeldes o exílio.


