A conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) para decidir uma estratégia mundial de luta contra o aquecimento do planeta começou ontem em Haia, Holanda, com um discurso dos negociadores para que não se adie mais as decisões necessárias para evitar o agravamento da ameaça ambiental. ‘‘Chegou a hora de mostrarmos que somos capazes de conseguir resultados em vez de simplesmente tomar decisões, como temos feito várias vezes, adiando nossas dicussões’’, afirmou o ministro holandês do Meio Ambiente, Jan Pronk, pouco antes de ser eleito como presidente da conferência.
O funcionário da ONU encarregado de dar continuidade aos debates da Convenção do Rio sobre Mudanças Climáticas, Michael Zammit Cutajar, advertiu pouco depois sobre a tentação de se recorrer a ‘‘soluções fáceis que serão lamentadas mais tarde’’ para reduzir as emissões de gases que causam o efeito estufa, como o CO2.
A Conferência de Haia deve decidir as formas de aplicação do protocolo de Kyoto, acordo internacional elaborado em 1997, que ainda não entrou em vigor. Este protocolo determina que 38 países industrializados adotem entre 2008 e 2012 cotas de redução em relação ao nível de 1990 de CO2 e de outros cinco gases que causam o efeito estufa. Ficou decidido que a União Européia (UE) deve reduzir suas emissões de gases poluentes em 8%, Estados Unidos, em 7%, Canadá e Japão, em 6%. Cabe a estes países aos quais foram determinadas reduções escolher os meios de respeitar os compromissos.
O acordo não foi ratificado até agora por nenhum dos países, que devem estipular meios de lutar contra o efeito estufa sem criar prejuízos a suas indústrias. Pronk não escondeu as dificuldades que devem ser enfrentadas para realizar a tarefa durante as próximas duas semanas pelos dois mil diplomatas de 180 países que participam da reunião, aos quais se juntaram na semana passada ministros do Meio Ambiente.
O medo de não se conseguir êxito na conferência é explicado pela importância econômica da luta contra o aquecimento do planeta e pela situação política dos Estados Unidos. Os diplomatas acreditam que a atuação da delegação norte-americana pode ser ineficaz em virtude das incertezas sobre quem será o próximo presidente do seu país. E nada pode ser decidido sem os Estados Unidos, principal poluidor do planeta, responsável por um quarto das emissões mundiais de CO2 e um terço das de todos os países desenvolvidos. Os EUA têm poder de veto sobre a ratificação do protocolo, pois a regra determina que o tratado precisa ser assinado por 55 países que representem 55% das emissões.
Com este pano de fundo de dúvidas sobre o êxito da conferência, Robert Watson, presidente do IPCC, o grupo de pesquisadores constituído pela ONU para se ocupar do problema, lembrou as repercussões devastadores do aquecimento do planeta. A consequente alta do nível do mar foi lembrada, pois ameaça fazer com que vários pequenos países insulares desapareçam e reduzir a superfície de numerosos países, como Bangladesh (menos 17,5%), Egito (menos 1%) e Holanda (menos 6%).

mockup