Islamabad - As eleições legislativas no Paquistão serão adiadas provavelmente até fevereiro, já que violência posterior ao assassinato de Benazir Bhutto torna ''impossível'' manter a data de 8 de janeiro, informou a comissão eleitoral, que anunciará oficialmente na quarta-feira a nova data da votação.

O secretário da comissão eleitoral, Kanwar Dilshad disse que será levado em consideração na decisão o mês de Moharram, sagrado para os muçulmanos, que começa no dia 10 de janeiro e termina em 8 de fevereiro.

Mais cedo, uma alta fonte da comissão eleitoral afirmou que o governo quer um adiamento o mais curto possível. ''Porém, a comissão eleitoral precisa de um prazo realista para voltar a colocar as coisas em seu lugar'', explicou Dilshad.

A comissão cita os episódios de violência e os distúrbios que explodiram depois do assassinato, no dia 27 de dezembro de 2007 em um atentado suicida, da ex-primeira-ministra e líder da oposição Benazir Bhutto. Desde então, a violência já deixou 58 mortos em todo o país, especialmente na província meridional de Sind, reduto de Bhutto e do Partido do Povo Paquistanês (PPP).

As eleições são vitais em um país de 160 milhões de habitantes à beira do caos político. A única potência nuclear reconhecida do mundo muçulmano é uma aliada chave dos Estados Unidos na ''guerra contra o terrorismo''.

O presidente Pervez Musharraf foi reeleito para um segundo mandato em outubro em uma polêmica votação indireta, nas assembléias nacionais e provinciais. O poder dele Musharraf, cada vez mais contestado, seria abalado se a oposição vencesse as eleições legislativas.

Os Estados Unidos vêem suas opções limitadas com a morte de Bhutto e mantêm o apoio a Musharraf, principal aliado do país na região desde os atentados de 11 de setembro de 2001.

Washington poderia considerar aceitável um adiamento das legislativas após o assassinato de Bhutto. No entanto, o porta-voz do Departamento de Estado, Tom Casey, já anunciou que o país deseja o anúncio de uma data precisa.

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