Incerteza ronda a cúpula entre Arafat e Barak
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sexta-feira, 14 de julho de 2000
Associated Press De Jerusalém 
O presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, está aproveitando seu tempo na localidade norte-americana de Camp David, no Estado de Maryland, para dedicar-se à difícil tarefa de conduzir israelenses e palestinos rumo a um acordo. Mas, em meio à sua planejada viagem à Ásia, o porta-voz da cúpula descreveu as questões em disputa como intratáveis.
No fim da noite de anteontem, Clinton reuniu-se discretamente com o principal negociador israelense, Shlomo Ben-Ami, jantou com o primeiro-ministro Ehud Barak, o líder palestino Yasser Arafat e suas respectivas delegações e reuniu-se em separado com os dois líderes, encontros estes encerrados por volta da 1 hora local de ontem.
O porta-voz da Casa Branca, Joe Loeckhart, limitou-se a falar sobre a agenda de Clinton em Camp David, onde se reuniu novamente ontem com Barak e Arafat. Negou-se a comentar se as partes haviam obtido algum progresso ou se os encontros estão sendo positivos.
Há questões intratáveis, afirmou. Há assuntos que afetam os interesses vitais de ambas as partes. Isto é muito sério.
Um funcionário israelense disse que Clinton expressou apenas suas idéias e a Casa Branca não informou quando ele levará uma proposta concreta a Barak ou Arafat.
A secretária de Estado americana, Madaleine Albright, reuniu-se ontem com líderes de organizações palestinas que foram aos Estados Unidos com o objetivo de encontrar-se com Arafat para discutir o acordo.
O líder palestino aguardava autorização da Casa Branca para realizar, em Camp David, uma reunião com uma dezena de ministros e integrantes do comitê executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), convidados por ele.
Em Washington, Hanan Asrawi, uma das porta-vozes dos palestinos, expressou pessimismo sobre a cúpula. As questões de Jerusalém, das fronteiras e dos refugiados palestinos ainda não foram resolvidas e duvido que desta vez haja êxito.
As negociações foram interrompidas na noite de ontem em respeito ao sabá, período de descanso observado pelos judeus, e devem ser retomadas informalmente no domingo.
Um grupo islâmico transformou ontem uma rua próxima à reunião de cúpula de Camp David em mesquita ao ar livre, para rezar pelo retorno a Israel dos palestinos exilados. Trinta e cinco muçulmanos ouviram descalços um imã que defendeu o direito dos refugiados de voltar à sua terra.
Ninguém, nem (o líder palestino) Yasser Arafat nem (o primeiro-ministro israelense) Ehud Barak, têm o poder de resistir ao direito dos refugiados palestinos, disse Khaled Tourani aos membros da Associação Islâmica para a Palestina.


