Incêndio vira o maior da história da Califórnia
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de agosto de 2018
Das Agências 

São Paulo - A Califórnia enfrenta nesta terça-feira (7) o maior incêndio de sua história, que já atingiu uma área no Norte do Estado equivalente a cidade do Rio de Janeiro, e a expectativa é que o fogo continue na região até o final de agosto, segundo as autoridades.
O recorde aconteceu porque dois grandes incêndios florestais que atingiam a região, o River e o Ranch, se juntaram em um só, que as autoridades chamaram de Mendocino Complex, pois fica próximo da Floresta Nacional de Mendocino (cerca de 200 km ao norte de San Francisco).
O fogo já consumiu uma área de 1.148,5 km², praticamente o mesmo tamanho da cidade do Rio ou de Los Angeles, e apenas 30% dele está contido, de acordo com o Calfire (Departamento Florestal e de Incêndios da Califórnia). Até o momento, o maior incêndio em área da história do Estado era o Thomas, que em dezembro de 2017 destruiu 1.140 km2.
"Um sistema de alta pressão trouxe um clima mais quente, seco, e fortes ventos à região" disse o Calfire em seu último boletim, na noite de segunda (6). "As equipes de bombeiros tentarão aproveitar a queda da temperatura esta noite para aumentar o combate e manter as atuais linhas de contenção."
Enquanto o incêndio River está 58% controlado, apenas 21% do Ranch foi contido e o fogo segue se expandindo tanto ao norte quanto ao sul, superando tanto barreiras naturais quanto artificiais.
Cerca de 3.900 bombeiros combatem as chamas com apoio de helicópteros e aviões, incluindo dois DC-10 e um 747 que lançam água sobre o fogo. O principal objetivo dos bombeiros é proteger as comunidades da região - no momento 9.300 prédios estão sob risco, 75 residências foram destruídas e a maior parte da população já foi retirada do local.
Apesar da área devastada, o Mendocino Complex não é o incêndio mais mortal na Califórnia neste momento.
O Carr, que atinge uma região próxima a capital, Sacramento, também no norte, consumiu 660 km² (semelhante a área da cidade de Ribeirão Preto) e já deixou sete pessoas mortas, além de ter destruído 1.600 prédios. Ele é o sexto incêndio mais destrutivo da história da Califórnia e está 45% controlado.
A última vítima foi um trabalhador que morreu no domingo (5) quando reparava uma linha elétrica em uma área remota do condado de Shasta.
Outro grande incêndio, chamado de Ferguson, levou ao fechamento do turístico parque Yosemite, e está 38% sob controle.
Em todo o Estado, 14 mil bombeiros combatem 16 focos de incêndio, que no total já consumiram 2.370 km² (área equivalente a da baixada santista), e o temor é que a situação piore durante a temporada de incêndios, que termina em dezembro.
A previsão para esta semana na Califórnia é que as temperaturas continuem altas e a umidade baixa, o que pode contribuir para aumentar ainda mais as chamas.
O presidente Donald Trump disse que o Estado passa por um "grande desastre" e atribuiu a destruição causada pelas chamas às leis ambientais locais, sem mencionar as vítimas. "Os incêndios na Califórnia estão sendo maximizados pelas más leis ambientais, que não permitem a utilização adequada das grandes quantidades de água facilmente disponíveis", afirmou ele no domingo.
O Estado é um dos principais defensores de uma legislação ambiental mais rígida no país, indo assim de encontro às ideias de Trump, que quer diminuir as regras sobre o assunto.
NA EUROPA
A onda de calor que atinge o hemisfério norte também causou incêndios na Europa, incluindo em Portugal, na Suécia e na Grécia, e deixou outros países em estado de alerta.
Em Portugal um incêndio florestal visível da ISS (Estação Espacial Internacional) ameaça uma cidade turística no sul do país. Mais de uma dezena de hidroaviões e seis helicópteros, que se abastecem em piscinas da região, auxiliavam os mais de mil bombeiros no combate às chamas que se aproximam perigosamente da cidade turística de Monchique, nas montanhas do Algarve, no sul de Portugal. O incêndio, declarado na sexta-feira, deixou 30 feridos, entre eles uma mulher de 76 anos em estado grave, segundo o último balanço da Proteção Civil.
Na madrugada desta terça (7), 250 pessoas foram evacuadas das populações vizinhas, enquanto as chamas, que já devastaram mais de 15.000 hectares de floresta, passaram a apenas 500 metros de um convento do século 17.
As autoridades portuguesas têm ainda frescos na memória os incêndios do ano passado, que mataram 114 pessoas.
Na vizinha Espanha, os bombeiros também combatiam sem trégua um incêndio na região de Valencia (leste), cujas chamas queimaram 1.500 hectares e obrigaram a evacuar preventivamente 2.500 pessoas.
No fim de semana, a onda de calor levou tanto Espanha quanto Portugal a se aproximar de seu recorde de calor absoluto, com temperaturas de 46,6 graus centígrados, registrada em El Granado, um povoado da Andaluzia perto da fronteira portuguesa, segundo a OMM (Organização Meteorológica Mundial), em Genebra. O número de vítimas mortais pela onda de calor na Espanha chegou a nove na última semana, anunciaram as autoridades nesta terça-feira (7).
Na Finlândia, um supermercado de Helsinque abriu suas portas durante a noite de sábado para clientes que buscavam refúgio do calor. Em um vídeo divulgado no Facebook, o K-Supermarket mostrou os clientes relaxando em colchões e sacos de dormir.


