Incêndio mata 75 pessoas em hotel
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de agosto de 2001
Mynardo Macaraig<BR>France Presse 
Pelo menos 75 pessoas morreram no inferno em que se transformou um hotel nos arredores de Manila, que não dispunha de saídas de socorro e cujas janelas estavam bloqueadas por barras de ferro. O incêndio começou às 4h30 locais de ontem (17h30 de sexta-feira pelo horário de Brasília) no terceiro andar de um hotel de Quezon City, nos arredores da capital filipina. Os hóspedes se viram bloqueados pelas barras nas janelas dos quartos, o que deu lugar a cenas de terror, com muitas pessoas gritando de pânico. Os bombeiros tiveram de, ao mesmo tempo, tentar apagar o fogo e serrar as grades. Somente um reduzido número de pessoas foi retirado com a ajuda das escadas magirus.
''Foi um espetáculo dantesco, ver as pessoas morrendo sem poder fazer nada'', declarou à AFP Johnny Yu, responsável pela defesa civil de Manila, que dirigiu a operação de resgate. ''Tivemos a impressão de que estavam em uma prisão e não em um hotel'', dizia um comentarista de televisão no momento de auge do incêndio, que mais tarde mostraria as imagens dos corpos alinhados, esperando para ser retirados.
Algumas vítimas apresentavam sinais de queimaduras, mas a maioria morreu sufocada pela inalação de fumaça, como mostravam as partes negras em torno da boca e do nariz.
Do lado de fora, o hotel parece praticamente intacto, já que o fogo, que teria sido originado por um curto-circuito, devido ao aquecimento do sistema de climatização, devastou somente o interior do terceiro e quarto andares.
Mesmo depois do fogo controlado foram necessárias várias horas para agrupar os cadáveres espalhados pelos corredores e quartos.
No estacionamento do hotel, foi feita a identificação das vítimas, que eram depois enviadas para um centro policial. A polícia abriu uma investigação.
O terrível balanço do incêndio faz pensar que o hotel não dispunha dos equipamentos de segurança necessários, como extintores, alarmes de incêndio, luzes de segurança e saídas de socorro.
O oficial de bombeiros Ricardo Nemenze disse que uma inspeção realizada dois meses antes deixou claro que o hotel não respeitava as medidas de segurança. Aos proprietários, foi dado um prazo de 30 dias para se ajustarem às normas.
Praticamente todos os hóspedes do hotel, procedentes de várias províncias das Filipinas, participavam em uma reunião da seita cristã Fiéis de Deus.


