Moscou - O incêndio que resultou na morte de 45 mulheres num centro de desintoxicação para drogados, na noite de sexta-feira, foi provavelmente de origem criminosa, segundi fontes do Ministério de Situações de Emergência e dos bombeiros de Moscou. Todas as vítimas eram mulheres, pois o incidente ocorreu na ala feminina da clínica. Entre elas há dois membros da equipe do hospital, acrescentaram as fontes. ''As 45 mulheres morreram antes da chegada dos bombeiros'', afirmou o vice-ministro para Situações de Emergência, Alexander Chupriyan, no local do incêndio. Outras doze pessoas sofreram ferimentos e se encontram ''em estado grave'', informou a agência de notícias Itar-Tass, citando fontes do hospital.
''Trata-se de um incidente gravíssimo e desagradável, uma tragédia'', afirmou o prefeito de Moscou, Yury Luzhkov, que visitou o local. ''O mais provável é que se trate de um incêndio criminoso'', acrescentou.
As chamas começaram no segundo piso do edifício de oito andares do hospital no início da madrugada. O incêndio foi apagado em uma hora, segundo as agências de notícias russas. ''O fogo começou na cafeteria do edifício velho. Quando os bombeiros chegaram, uma espessa fumaça estava se estendendo'', disse o chefe dos bombeiros de Moscou, Viktor Klimkin. No total, 177 pacientes e 15 funcionários se encontravam no edifício do sul de Moscou no momento do incêndio, acrescentou Klimkin. Mais de 20 carros dos bombeiroi foram vistos no local.
''O incêndio foi pouco importante e destruiu apenas uma centena de metros quadrados, mas a densa fumaça intoxicou muita gente que dormia'', explicou um membro dos serviços de socorro.
''Todos os que morreram em virtude do incêndio faleceram antes da chegada dos primeiros carros dos bombeiros, e os veículos já se encontravam no local quatro minutos depois da chamada'', garantiu Chupriyan.
Os bombeiros entrevistados pela TV russa disseram que muitas das vítimas não puderam escapar porque havia grades nas janelas e que outras morreram enquanto dormiam por causa da fumaça.
Um bombeiro afirmou que uma saída de emergência havia sido tapada e que a saída principal estava coberta pela fumaça. Muitas das vítimas morreram por causa dos vapores tóxicos de uma camada plástica que cobria as paredes do piso, afirmaram vários bombeiros.
Alguns sobreviventes quebraram as janelas dos pisos superiores do edifício e saltaram, disseram várias testemunhas.
Klimkin disse que os inspetores haviam apelado a um tribunal em março para que o edifício fosse fechado devido a violações das regras de segurança para incêndios. A corte se limitou a dar uma advertência aos administradores do hospital.
Este foi o incêndio mais grave já ocorrido na capital russa desde 1977, quando 42 pessoas morreram e 50 ficaram feridas no Hotel Rossia, no centro de Moscou.

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