Impossível prever o rumo das eleições
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de julho de 1998
Philippe Agret France Presse 
Tudo pode acontecer nas eleições legislativas que serão realizadas hoje no Camboja, onde a oposição realizou uma ativa campanha, apesar de muitos assinalarem as grandes probabilidades de que o resultado venha a ser uma nova coalizão governamental entre velhos adversários.
Nas últimas eleições, em 1993, os cambojanos não fizeram o que todos esperavam. Desta vez também pode acontecer uma surpresa, comentou a representante especial da União Européia para estas eleições, Glenys Kinnock.
Há cinco anos, na eleição organizada pela ONU, os cambojanos surpreenderam a opinião não apenas pela votação maciça - 90% de participação - como também porque preferiram o partido monarquista do príncipe Norodom Ranariddh (45%) aos ex-comunistas no poder (38%).
O Partido do Povo Cambojano (PPC) de Hun Sen não aceitou a derrota, o que obrigou o FUNCINPEC monarquista a estabelecer alianças com este para para poder dirigir o país.
Depois da derrota desta coexistência no poder, há um ano, os dois partidos rivais disputam novamente o voto dos cambojanos.
Mas, desta vez, surgiu um novo candidato opositor, o ex-ministro das Finanças, Sam Rainsy, também favorito.
É pouco provável, no entanto, que algum dos três partidos consiga as duas terças partes das 122 cadeiras na Assembléia Nacional, ou seja, 82, como exige a Constituição, para formar o novo governo, principalmente levando em conta que a votação é proporcional.
Hun Sen, vencedor dos khmers vermelhos, homem forte, discreto e sereno, insistiu no tema da paz e espera contar com o apoio dos camponeses, que constituem 80% da população no Camboja, prometendo melhorar sua situação, para continuar no poder.
Hun Sen quer, principalmente, recobrar, com estas eleições, a legitimidade internacional que perdeu por causa do confronto armado com o príncipe Ranariddh, em julho passado.
Os opositores ao regime, tanto do lado monarquista como do liberal, escolherem como tema de campanha a mudança e confiam que os cambojanos vão punir o regime autocrático encarnado há vinte anos pelo partido de Hun Sen.
Por seu lado, o príncipe Ranariddh recorreu, como em 1993, à febre monarquista, evocando a memória de seu pai, o rei Sihanuk, que é muito popular.
Sam Rainsy, por sua parte, empreendeu uma cruzada contra a corrupção e as violações dos direitos humanos.
É muito arriscado predizer um resultado não apenas pela ausência de pesquisas, como também pelo volátil clima político.
Apesar de uma coalizão bipartidária ser quase certa, todas as combinações são possíveis, inclusive uma nova aliança entre os partidos de Hun Sen e do príncipe Ranariddh, com ou sem seus chefes.
A comunidade internacional, que contribuiu com o financiamento das eleições, enviou 500 observadores para vigiá-las, sob a coordenação da ONU.
Na véspera da eleição, o Comitê para as Eleições Livres e Justas (COMFREL) assegurou que as eleições não serão limpas, nem livres, de acordo com os critérios internacionais.
Para esse comitê independente cambojano, no entanto, as eleições podem ser consideradas razoavelmente confiáveis, levando em conta o dramático passado do país.


