Imperador japonês lembra sofrimento dos imigrantes
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quinta-feira, 24 de abril de 2008
Cláudia Trevisan<br>Enviada especial 
Tóquio - O sofrimento físico e psicológico enfrentado pelos centenas de japoneses que embarcaram para o Brasil no início do século passado foram lembrados em Tóquio pelo imperador Akihito, que agradeceu ao governo do Brasil e aos brasileiros pela ''generosidade'' com que acolheram os imigrantes.
Dezenas de descendentes dessas pessoas que cruzaram o mundo fugindo da pobreza participaram anteontem em Tóquio da cerimônia de comemoração dos 100 anos da imigração japonesa para o Brasil. Muitos deles fizeram o caminho inverso e enfrentam hoje no Japão problemas que vão da dificuldade de integração à sociedade local a crises de identidade.
''Como os imigrantes japoneses foram recebidos bem no Brasil, é importante que os nikkeis sejam bem recebidos na sociedade japonesa'', afirmou Akihito, em referência aos descendentes dos que deixaram o país.
Akihito compareceu à cerimônia acompanhado da imperatriz Michiko e do príncipe herdeiro Naruhito. Também estava presente a cúpula do governo japonês, representada pelo primeiro-ministro Yasuo Fukuda e os chefes dos poderes Judiciário e Legislativo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi representado pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Na platéia, estavam o ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, e o chefe da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito. ''De certa maneira, meus pais também participam desta festa, porque eles fazem parte da saga desse punhado de japoneses que foi para o Brasil'', disse Saito em entrevista depois da cerimônia.
A presença da família imperial deu um ar solene à cerimônia, mas eles foram os primeiros a quebrar o protocolo com um atraso de cerca de 10 minutos no horário de entrada no salão do evento.
A comunidade de 1,5 milhão de japoneses e seus descendentes que vive no Brasil foi representada na solenidade por Kokei Uehara, de 80 anos, que deixou a ilha de Okinawa quando tinha oito anos de idade. Em seu discurso, lembrou a contribuição dos imigrantes à agricultura brasileira e seu empenho em garantir a educação dos filhos
Michiko conversou com a freira franciscana Yoshico Mori, fundadora do Serviço de Assistência aos Brasileiros no Japão. Nascida no Brasil, Yoshico se mudou para o Japão há 22 anos e trabalha dando apoio aos imigrantes. Entre os problemas da comunidade apontados por ela estão criminalidade, crises de identidade e a baixa auto-estima. ''Muitos têm vergonha de ser brasileiros'', afirmou. Há sete anos, Yoshico criou um festival de artes para os jovens que, segundo ela, reduziu os índices de criminalidade entre os imigrantes brasileiros.


