Nova York - O acordo para evitar um ataque militar à Síria esbarrou ontem na divergência entre países ocidentais e a Rússia sobre o texto da resolução no Conselho de Segurança da ONU prevendo que o regime do ditador Bashar al-Assad entregue imediatamente suas armas químicas.
EUA e Reino Unido declararam apoio a uma proposta da França, que prevê ação militar caso a Síria não repasse suas armas à comunidade internacional para serem destruídas. Mas os russos, principais defensores de Assad, não concordam com essa possibilidade.
A hipótese de um acordo surgiu na segunda-feira após declaração do secretário de Estado dos EUA, John Kerry, de que o ataque seria evitado caso Assad, em uma semana, entregasse suas armas. A Rússia rapidamente disse que aceitava a ideia.
Os EUA e seus aliados querem punir o regime sírio por um suposto ataque com armas químicas em 21 de agosto que teria provocado centenas de mortes.
Em depoimento no Congresso ontem, Kerry, afirmou que a Síria tem aproximadamente mil toneladas de diversos agentes químicos, como enxofre, gás mostarda e sarin. Ele disse ainda que, mesmo com a proposta da resolução, a intervenção não está descartada.
Há uma expectativa nos EUA em torno da votação hoje pelo Senado que pode dar aval a Obama para agir na Síria. A data coincide com o 12º aniversário dos ataques às torres do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001. O presidente Barack Obama faria à noite um pronunciamento à nação sobre a Síria.
A pedido do governo russo, foi cancelada ontem uma reunião do Conselho de Segurança da ONU que discutiria a crise, em Nova York. Diante do impasse, um encontro deve ocorrer quinta-feira em Genebra entre Kerry, e o chanceler da Rússia, Sergei Lavrov.

Promessa
Segundo Kerry, sua declaração sobre um possível acordo não foi dada de improviso, como se especula. Ele disse que a proposta refletiu conversas anteriores entre os presidentes Vladimir Putin e Barack Obama. "Não foi uma ideia que apareceu repentinamente", declarou.
Do lado sírio, o chanceler Walid al-Mualim disse à agência russa Interfax que o país se dispõe a revelar a localização de seu arsenal químico e interromper a produção, submetendo as instalações a uma inspeção internacional.
Mesmo indiretamente, foi a primeira vez que Damasco admitiu ter esse tipo de arma --Assad vinha negando isso.
Mualim afirmou ainda que a Síria poderia assinar a convenção que proíbe o estoque de armas químicas. O país é um dos poucos não signatários do tratado no mundo.

mockup