Cerca de 900 refugiados curdos, chegados clandestinamente à França no sábado, depois que o cargueiro onde viajavam encalhou, passaram sua primeira noite neste país e acordaram ontem no acampamento militar de Frejus, onde recuperam forças após uma semana de navegação em condições sumamente difíceis.
‘‘Começam a recuperar forças’’, explicou Eric Painsec, responsável nacional pelas operações de socorro da Cruz Vermelha, aos jornalistas reunidos ante as grades de entrada do 21º Regimento de infantaria de Marinha, pois a imprensa não teve acesso ao quartel onde estão alojados os refugiados.
‘‘Muitos ainda nem percebem onde estão, mas se recuperam, descansam e comem, porque estão muito cansados. Demos a eles produtos de higiene pessoal e os deixamos tranquilos para que descansem’’, acrescentou.
‘‘A maioria dormiu bem. Foi uma noite muito tranquila’’, afirmou o coordenador regional da ajuda de emergência e das operações de socorro da Cruz Vermelha, Claude Martin.
Depois de uma semana apinhados nos porões do ‘‘East Sea’’, os quase 900 náufragos – entre os quais uns 300 menores de 10 anos e muitas pessoas de pouca mobilidade –, receberam um desjejum composto de chocolate, café, chá, biscoitos, bolo e pão fresco, precisou a Cruz Vermelha, que está mobilizando 150 funcionários no local. Os clandestinos não podem sair do quartel que lhes serve de ‘‘zona de espera’’ e não é considerado território francês.
Tanto o comandante do navio quanto os quatro tripulantes iraquianos encontram-se ainda em fuga, pois abandonaram o navio num barco do tipo Zodiac pouco antes dele ter encalhado num banco de areia. Sábado, a embarcação foi encontrada não muito longe do local do naufrágio, sendo que seus tripulantes estão sendo ativamente procurados pela polícia francesa que já os identificou e dispõe de pistas que poderão permitir sua rápida detenção e responsabilização pelo abandono dos passageiros e pela ilegalidade de sua viagem.
Por enquanto, o governo está identificando os refugiados (a maioria originária de Mossul, no norte do Iraque), recebendo os numerosos pedidos de asilo político que serão examinados pela OFRA, a organização francesa de proteção dos refugiados que decide sobre a concessão ou não de asilo.

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