Washington - Organizações hispânicas nacionais e locais, até então divididas pela convocação ao boicote em 1º de maio, estão unindo forças para realizar uma grande marcha nacional hoje em Washington para pedir ao Congresso a legalização dos imigrantes ilegais.
A manifestação ocorre depois da decisão do presidente George W. Bush de enviar a Guarda Nacional para a fronteira com o México o que significou um balde de água fria para o governo de Vicente Fox, que entendeu esta atitude como um ato unilateral dos Estados Unidos para garantir sua segurança.
Apesar de o México insistir em que a medida não levará à militarização da fronteira, na realidade considera esta decisão como ''muito grave'' por ''internacionalizar o problema da migração'', considerou o relator especial das Nações Unidas para os direitos dos migrantes, o mexicano Jorge Bustamante.
''Armados como vão à guerra no Iraque, (a presença de 6 mil guardas nacionais na fronteira) não vai ser um piquenique'', acrescentou Bustamante.
Fox entrou em contato imediatamente com Bush para pedir explicações a respeito da medida, de acordo com um comunicado da presidência. No entanto, a forma como a situação foi colocada dá uma idéia de até que ponto o México está fora do debate.
Entre outubro de 2005 e maio de 2006 a Polícia de fronteira americana deteve 766.617 pessoas, segundo os últimos dados divulgados. O tráfico de pessoas aumentou na última década, segundo os especialistas, que no entanto ressaltam que sua nova tática de passagem, por meio de regiões desérticas, envolvem riscos que vão além dos humanitários.
São os denominados narcotúneis, utilizados pelos traficantes, os que despertam a preocupação do outro lado da fronteira, pelos riscos do envolvimento de terroristas.
Em relação à marcha hoje, o presidente da Coalizão Nacional Migratória da Capital americana (NCIC), Jaime Contreras, afirmou que ''as pessoas pediram. Estamos aqui para anunciar que o movimento está mais unido do que nunca''.
''Juntos chegaremos à vitória e conseguiremos uma reforma migratória justa e humana'', completou o líder de uma organização que não apoiou o boicote lançado pela Coalizão do 1º de Maio.
A manifestação também contará com o apoio da Coalizão 25 de Março, que organizou nesta data uma gigantesca marcha em Los Angeles, e de entidades locais, como o Centro sem Fronteiras, de Chicago (norte).
Os organizadores não se limitarão aos protestos. Seus representantes pretendem ainda fazer seu lobby no Congresso, no momento em que o Senado debate a reforma migratória e a legalização de milhões de ilegais.
Outro passo será convocar os cidadãos hispânicos dos Estados Unidos a se registrarem para as próximas eleições legislativas de novembro. ''Temos de usar nossos votos para tirar nossos inimigos do Congresso e pôr nossos aliados'', defendeu a diretora do Centro sem Fronteiras, Emma Lozano.
O movimento terá ainda o apoio de organizações não-hispânicas, como a Sociedade dos Muçulmanos dos EUA.

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