Imigrantes jogados no mar no Golfo de Aden
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sexta-feira, 29 de novembro de 2002
Khaled Haidar<BR>France Presse 
Djibuti Pelo menos 60 imigrantes, muitos ainda com vida, foram atirados ao mar, enquanto outros foram assassinados antes, pela tripulação de um navio à deriva no Golfo de Aden, revelaram ontem alguns sobreviventes à AFP. O capitão e cinco marinheiros, todos da Somália, foram detidos pela polícia, depois de terem sido socorridos por um navio militar espanhol junto com alguns sobreviventes, informaram fontes militares francesas no Djibuti, um pequeno Estado independente na entrada do Mar Vermelho, onde fica a maior base militar francesa da África.
A fragata espanhola ''El PatiÀo'', que faz parte da frota de vigilância ao terrorismo no Golfo de Aden e no Oceano Índico, socorreu a embarcação que estava à deriva há dez dias devido a um problema no motor.
A embarcação espanhola recolheu 93 pessoas, e descobriu três corpos a bordo.
O capitão somali declarou ter embarcado 150 passageiros na Somália, mas os sobreviventes disseram que eram mais de 200 a bordo, contando à AFP que a tripulação havia assassinado vários passageiros e lançado ao mar os que estavam vivos.
Denunciaram a ''cobiça'' desses homens, que pediam dinheiro aos moribundos em troca de um pouco d'água. ''Muitos morreram de doença, de sede, de fome, ou por ter bebido água do mar e seus corpos foram atirados na água. Outros foram degolados ou mortos a tiros''. ''Até dez corpos eram atirados diariamente'', confirmou Kosse Mohamed Abdilahi, que perdeu nove membros de sua família nessa tragédia. Os imigrantes haviam deixado Puntland em direção ao Iêmen.


