France Presse
Cientistas detectaram uma nuvem de poluição de dez milhões de quilômetros quadrados, o equivalente à superfície dos EUA, capaz de provocar importantes desajustes no clima e no meio ambiente. A nuvem cobre a parte norte do oceano Índico. A informação foi divulgada ontem pela National Science Foundation (NSF).
Provocada por uma forte concentração de partículas microscópicas expulsas na combustão de hidrocarburetos, esta bruma particularmente densa está a três mil metros de altitude e reduz a visibilidade a dez quilômetros, confome informaram os dirigentes do projeto internacional Indian Ocean Experiment (Indoex).
As observações, feitas de barco, avião e balão entre fevereiro e março passados, indicam que a nuvem, composta por partículas de fuligem e enxofre, vem do subcontinente indiano e do sudeste da Ásia. Os dejetos são transportados por cima do Oceano Índico no inverno do hemisfério norte pelos ventos que sopram do nordeste, a favor da monção (vento) de inverno. No final da primavera, os ventos mudam de direção e empurram para o continente esta grande nuvem, que cai ao solo em forma de chuva ácida.
Segundo as medições deste inverno boreal, a nuvem de poluição reduz em dez por cento a quantidade de energia procedente do sol que chega à superfície do oceano. ‘‘Com a luz reduzida, o fundo do oceano também sofrerá mudanças’’, explica um dos responsáveis do programa Veerahadran Ramanathan, do Instituto Oceanográfico Scripps de San Diego (Califórnia). Esta nuvem também pode danificar seriamente a vida marinha, que depende da fotossíntese, e principalmente o plâncton da superfície.

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