Cairo As imagens transmitidas pela televisão, às vezes insuportáveis, de vítimas civis no Iraque provocam a revolta e a indignação no mundo árabe que está vendo como uma chamada guerra limpa se transforma ''na mais suja de todas as guerras'' e como uma guerra de libertação permite ''crimes de guerra''.
''É preciso mostrar tudo isso para mobilizar as pessoas, a fim de que fiquem a par dos fatos'', acrescentou Medhat, que estuda na mesma universidade.
Por sua vez, um dos editores do jornal Al Ahram, Salah Eddin Hafez, escreveu recentemente que ''a guerra limpa se tornou na mais suja, na mais sangrenta, na mais destruidora. As armas inteligentes sofrem de repente uma estupidez premeditada que mata, destrói cegamente e joga sua cólera histérica sobre os mercados populares e os bairros residenciais das cidades iraquianas''.
As vítimas civis formam ''rios de sangue que separam o povo iraquiano das forças da coalizão que se supõem libertadoras do povo iraquiano e que vieram lhes dar a democracia'', estimava por sua vez Makram Mohamed Ahmed, redator-chefe da revista Al Musssawar, próxima ao governo egípcio que é um fiel aliado aos Estados Unidos.
Na Síria a imprensa oficial denunciou os ''massacres bárbaros'' perpetrados pelos soldados norte-americanos e britânicos contra os civis e ironizava os valores democráticos prometidos por Washington aos iraquianos.
''Eis que o povo iraquiano saboreia 'os valores da liberdade' prometida: tem a liberdade de morrer assassinado, queimado ou enterrado sob os escombros'', escreveu o jornal As Saura.
''Não se pode salvar um povo matando-o'', protestou o jornal Al Khalikh, dos Emirados Árabes Unidos.

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