Washington - As terríveis cenas de americanos mortos em Fallujah (Iraque) ocuparam as primeiras páginas dos jornais dos Estados Unidos e evocaram imagens semelhantes provenientes da Somália, em 1993, que então convenceram a Casa Branca a retirar suas tropas do país africano.
Os principais canais de TV americanos abriram seus informativos de ontem à noite mostrando os corpos de civis americanos mutilados por uma multidão em Fallujah, enquanto a primeira página do The New York Times expunha a foto de dois corpos carbonizados pendurados numa ponte.
''Para o presidente George W. Bush a questão é: o descontentamento gerado pela morte e pela mutilação de civis americanos e a cifra de soldados mortos levarão a que a opinião pública se pergunte se a invasão ao Iraque e sua ocupação valem todas estas perdas?'', indagou o jornal USA Today.
''Isto evidentemente nos lembra Mogadiscio (Somália)'', disse o influente senador republicano John McCain ao canal CBS, referindo-se há dez anos quando soldados americanos mortos foram arrastados por uma multidão enfurecida pelas ruas da capital somali.
''A longo prazo não acho que este incidente faça mudar a opinião pública'', estimou Judith Kipper, especialista em Oriente Médio do Conselho de Relações Exteriores.
''Neste caso se trata de civis'' e ''por mais que possa parecer chocante, é um pouco diferente em termos de orgulho do que ver corpos de soldados arrastados pelas ruas'', explicou.
De qualquer maneira, ''se houver muitos incidentes assim, certamente gerariam questionamentos'', acrescentou. No entanto, Anthony Cordesman, especialista do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais e ex-funcionário do Pentágono, não pensa assim.
''Os atentados de Madri mostraram que se se ataca um sistema político com imagens, pode-se fazer mudar a forma como um governo ocidental administra a guerra'', afirmou no canal público PBS.

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