Igrejas saem às ruas para defender diálogo
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terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Diego Bercito<br>Folhapress 
Kiev, Ucrânia - Apesar da convicção de que a política é uma questão secular, e apesar dos riscos a suas instituições, igrejas de diversas denominações têm se aliado, na Ucrânia, e exigido a resolução pacífica da crise que hoje divide o país.
"Estamos protegendo o povo", disse o arcebispo Sviatoslav Shevchuk, que lidera a igreja greco-católica ucraniana - de rito bizantino, mas subordinada à Santa Sé e responsável por 10% da população do país, o equivalente a 4,5 milhões de fiéis. "O pastor tem de estar onde estiver seu rebanho."
O arcebispo fala rindo, com orgulho, dos padres de sua igreja que foram fotografados, nos últimos dias, lendo a Bíblia entre a fileira de policiais e a barricada da Praça da Independência, onde manifestantes foram mortos no dia 22, em confronto.
"Ele não sabia o que fazer, então ficou ali, lendo, por 1h30. As forças de segurança ouviram", declarou.
"Padres agiram como escudos humanos para prevenir a violência."
Ele também sorri quando confirma à reportagem que recebeu uma carta do Ministério da Cultura ameaçando tornar ilegais as atividades da igreja devido às orações realizadas na praça.
Quando o Ministério do Interior anunciou o sequestro de policiais por manifestantes e indicou que tomaria ações repressivas, no sábado, o Conselho das Igrejas e Organizações Religiosas exigiu que a oposição se reunisse com o presidente Viktor Yanukovich e negociasse.
"Fomos à Praça da Independência e explicamos ao povo que o diálogo era preciso. Eles gritaram nos agradecendo", afirma o arcebispo.
Método
"Não podemos fazer o trabalho dos políticos", afirmou à reportagem o padre Georgy Kovalenko, porta-voz da igreja ortodoxa ucraniana. "Não pedimos que ninguém venha fazer a nossa liturgia."


