France Presse
De Caracas
O Congresso e a Assembléia Nacional Constituinte da Venezuela formalizaram nesta sexta-feira a abertura de um diálogo com mediação da Igreja e com vistas a resolver suas divergências depois da suspensão das sessões do Parlamento, informaram as duas instituições num comunicado.
‘‘A Assembléia Nacional Constituinte, com o fim de explorar saídas para a situação criada, declara abrir um compasso de diálogo’’, diz o comunicado oficial lido pelo secretário da conferência episcopal, Hernán Sánchez Porras.
Em compensação, ‘‘a representação do Congresso tratará ante a comissão delegada da possibilidade de adiar a convocação de reuniões extraordinárias enquanto se realizarem as gestões de diálogo’’, continua o documento.
A comissão delegada é o único órgão que se mantém em funções no Parlamento desde que se iniciou um recesso e a Constituinte decretou a suspensão das sessões legislativas, o que marcou a origem da atual crise política.
‘‘Os participantes deste diálogo fazem um apelo ao povo da Venezuela para menter um clima de tolerância e respeito mútuo, que preserve a paz civil, a ordem pública e a tranquilidade social’’, termina o comunicado.
Ontem de manhã, a polícia venezuelana teve de usar jatos de água para tentar separar partidários e opositores do presidente Hugo Chávez que entraram em confronto em frente a sede do Congresso. Diversos jornalistas e manifestantes ficaram feridos no incidente.
Parlamentares de oposição insistiam que deveriam reunir-se apesar da Assembléia Constituinte ter praticamente ordenado nesta semana o fechamento do Congresso. Os partidários de Chávez tentaram impedir que os parlamentares entrassem no prédio onde funciona o Congresso. A polícia e a Guarda Nacional tiveram de entrar em ação para separar os dois grupos.
Na quarta-feira, a Constituinte, amplamente dominada por partidários de Chávez, retirou do Congresso, cuja maioria é formada por opositores, o poder de aprovar leis e limitou suas funções.
O presidente Hugo Chávez pediu ontem respeito à Assembléia Constituinte, que considerou o único ‘‘caminho pacífico’’ no país naufragado numa crise política. Pela televisão, Chávez afirmou que ‘‘a Assembléia Nacional Constituinte foi eleita por um povo soberano, por uma maioria determinante de um povo, que foi às urnas (a 25 de julho passado). Essa origem da assembléia lhe dá uma natureza absolutamente legítima, legal, soberana (... ) o mínimo que podemos fazer é colaborar com essa assembléia’’.
‘‘Esse é o caminho para sair disto e evitar males maiores: não há outro caminho pacífico’’, disse o presidente. ‘‘O poder Legislativo tem que entender o trânsito necessário. Peço a todas as forças políticas no Congresso Nacional que assumam com dignidade, com altivez, com fidalguia, o momento que estamos vivendo’’, manifestou Chávez, afirmando que seu plano de governo é fazer uma ‘‘revolução democrática’’ de mudanças em seu país.
‘‘Me cheira a provocação o show que montaram’’, disse Chávez sobre o confronto entre seus partidários (em defesa da Constituinte) e opositores (defensores do Congresso) nas portas do Parlamento, e pediu à oposição ‘‘reconhecer sua derrota’’ nos últimos processos eleitorais.

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