Igreja se prepara para a sucessão
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sábado, 02 de abril de 2005
France Presse 
Cidade do Vaticano- A Igreja Católica se prepara para a sucessão do Papa João Paulo II, cujo estado de saúde é gravíssimo, enquanto milhares de fiéis comparecem à Praça de São Pedro para rezar pelo Sumo Pontífice.
''As condições gerais, cardiorrespiratórias e metabólicas do Santo Padre se mantêm substancialmente invariáveis e, portanto, gravíssimas'', afirmou o porta-voz do Papa, Joaquín Navarro Valls, ao divulgar o boletim médico. ''Desde o amanhecer de hoje (ontem) começou a se observar um início de perda de consciência'', acrescentou, visivelmente emocionado.
Ao ser perguntado se o Papa estava em coma, Navarro Valls respondeu que não se pode falar de coma, mas que ''às vezes fecha os olhos e às vezes volta a abri-los e quando ouve vozes às vezes reage''. Navarro Valls disse que às 7H30 (4H30 de Brasília) foi celebrada a santa missa na presença do Papa. Último boletim médico divulgado às 13 horas de Brasília de ontem dava conta de que o estado de saúde do Papa era gravíssimo e que João Paulo II apresentava quadro de muita febre.
Segundo Navarro Valls, na tarde de sexta-feira ao ser informado que muitos jovens estavam na Praça de São Pedro, ''o Papa provavelmente se recordou dos jovens que encontrou em todo o mundo ao longo de seu pontificado''.
''Parecia se referir a eles quando, através de suas palavras, conseguiu pronunciar a seguinte frase: 'Eu procurei vocês. E vocês vieram a mim. Por isso agradeço a todos'', relatou.
Diante da iminência do fim do papado de Karol Wojtyla, que com quase 27 anos terá sido um dos mais longos da história, a Igreja começa a preparar as etapas que levarão à escolha de um sucessor.
Vários cardeais viajaram para o Vaticano para participar no momento histórico, como o arcebispo primaz do México, Norberto Rivera.
''O propósito é acompanhar o Santo Padre no que lhe resta de vida e esperamos poder participar nos acontecimentos seguintes'', declarou o religioso antes de viajar para Roma.
O cardeal brasileiro Claudio Hummes, que aparece na lista de 'papáveis' também se referiu à sucessão ao destacar os três desafios do futuro chefe da Igreja Católica: responder aos progressos da biotecnologia e da bioética, enfrentar a crescente pobreza e prosseguir o diálogo com outras religiões.
''Já estamos na pré-morte, porque o Papa está em agonia'', afirmou o cardeal Javier Lozano Barragán, ministro da Saúde do Vaticano.
No total, 117 cardeais eleitores têm direito a voto no futuro Conclave, mas o número pode subir para 118 caso seja revelado o nome do cardeal ''secreto'' nomeado pelo Papa em 2003.
Para que o cardeal ''in pectore'' possa participar no Conclave é preciso não apenas que o Papa divulgue seu nome, mas também que tenha menos de 80 anos, idade limite para participação.
Porém, antes da convocação do Conclave, não antes de 15 dias e nem depois de 20 de sua morte, o primeiro passo será romper o segredo pontifício, o selo com o qual João Paulo II marcou todos os documentos oficiais de seu pontificado.
Depois será redigida a nota de seu falecimento, a comunicação oficial da morte ao cardeal vigário e ao decano do Colegio Cardinalício. Também serão realizadas a posse do palácio pontifício e a exposição de seu corpo na basílica de São Pedro.
O trabalho será coordenado pelo espanhol Eduardo Martínez Somalo, de 78 anos, que como camerlengo, função criada no século XII e que se encarrega dos assuntos financeiros da Cúria, assumirá a interinidade entre a morte de João Paulo II e a nomeação de um novo Papa.
Apesar da cripta sob a basílica de São Pedro ter uma sepultura preparada ao lado de seus antecessores, circulam boatos de que Karol Wojtyla poderia ser enterrado na Polônia, sua terra natal, o que muitos católicos não vêem com bons olhos porque ''não é o Papa dos poloneses e sim de todo o mundo'', segundo uma religiosa da Congregação Maria Bambina.
Os Papas decidem onde querem ser enterrados em seu próprio testamento, documento que só pode ser lido por seu sucessor.
Milhares de fiéis permanecem em vigília neste sábado na Praça de São Pedro. Muitos passaram a noite rezando pelo Papa, que luta pela vida em seus aposentos, onde as luzes permaneceram acesas por toda a noite.


