Igreja rejeita partilhar investigação sobre abuso sexual com a ONU
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quinta-feira, 05 de dezembro de 2013
Folhapress 
São Paulo - O Vaticano se recusou a fornecer informações a uma comissão da Organização das Nações Unidas (ONU) a respeito das investigações internas sobre abusos sexuais a crianças e adolescentes cometidos pelo clero, alegando que política da Igreja é de manter esses casos sob sigilo.
Em resposta a duros questionamentos feitos pelo Comitê da ONU para os Direitos da Criança, a Santa Sé disse que não divulgará informações sobre as investigações internas, a não ser que um Estado ou governo solicite formalmente sua cooperação.
A resposta da Santa Sé, que será diretamente questionada pela comissão em janeiro, deve motivar muitas críticas, num momento em que a Igreja tenta deixar para trás os escândalos financeiros e de abusos sexuais que abalaram a reputação da milenar instituição nos últimos anos.
Em abril, o papa Francisco pediu uma "atuação decisiva" para eliminar os abusos sexuais dos religiosos e garantir que os responsáveis sejam punidos. Três meses depois, assinou um decreto que aumenta a punição a casos de prostituição, violência sexual, pedofilia e posse de pornografia.
Os primeiros casos de sacerdotes que abusaram de crianças e adolescentes foram denunciados primeiro nos Estados Unidos no início dos anos 2000. Em seguida, envolveram as Igrejas de vários países da Europa, sobretudo da Irlanda, onde foram registrados milhares de abusos.
A Igreja da América Latina também conheceu uma série de escândalos. O mais famoso foi o do fundador mexicano do movimento conservador dos Legionários de Cristo, Marcial Maciel, também culpado de abusos sexuais.
Em maio de 2011, a Congregação para a Doutrina da Fé, encarregada das denúncias, deu o prazo de um ano às conferências episcopais do mundo para a adoção de diretrizes contra a pedofilia, incluindo a colaboração com a Justiça civil.
O promotor designado para os casos de abuso, monsenhor Charles Scicluna, indicou recentemente que, em setembro, pelo menos 75% das conferências episcopais enviaram uma resposta ao Vaticano.
Freiras sequestradas
O papa Francisco pediu ontem a liberação das 12 freiras que foram sequestradas na segunda por um grupo de homens armados na Síria. As religiosas pertenciam a um convento católico ortodoxo grego da cidade de Maalula, de maioria cristã.
A região passa por conflitos entre as forças do regime do ditador Bashar Assad e os grupos Frente al-Nusra e Estado Islâmico do Iraque e do Levante, ambos vinculados à rede terrorista Al Qaeda. As freiras foram levadas a um local desconhecido.
O núncio do Vaticano na Síria, Mario Zenari, disse que a madre superiora conseguiu falar com o Patriarcado da Igreja Ortodoxa Grega e disse que as freiras estavam bem. A entidade ortodoxa não confirmou se houve o contato.


