Igreja paraguaia apóia eleição em maio
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domingo, 22 de março de 1998
Edwin Britez Especial para a Folha 
ABC ColorColoradosO general Lino Oviedo (d) e Raúl Cubas Grau no dia da homologação das candidaturas coloradas, em setembroA Igreja Católica paraguaia definiu sua postura no final da semana em relação às eleições gerais paraguaias de 10 de maio, descartando o apoio a seu adiamento. Desta maneira deixou claro que as eleições devem se realizar na data estabelecida, condenando as teses do Governo Wasmosy e do setor oficialista do Partido Colorado pelo adiamento por dois meses, ainda que sem atrasar a entrega do mandato presidencial, previsto constitucionalmente para 15 de agosto.
O presidente Juan Carlos Wasmosy esteve em uma assembléia os bispos paraguaios para solicitar sua intervenção, visando acabar com a crise política deflagrada pelo triunfo do general de reserva Lino César Oviedo nas eleições primárias do Partido Colorado, em 7 de setembro passado.
Oviedo tentou um golpe de estado em abril de 1996 quando era comandante do Exército. Somente depois de derrotar em convenção ao presidente do Partido Colorado, Luís María Arga¤a e o candidato do presidente Wasmosy, Carlos Facetti, e ganhar a candidatura presidencial, se intensificaram as investigações sobre aquele episódio. Há duas semanas um tribunal militar extraordinário condenou Oviedo a 10 anos de prisão.
Arquivo FolhaOposiçãoO economista Domingo Laíno, candidato da Aliança Democrática, está 8 pontos atrás de Oviedo nas pesquisasCaso a condenação de Oviedo seja confirmada pela Corte Suprema de Justiça, o candidato do Partido Colorado será desqualificado e substituído por Raúl Cubas Grau, acompanhado de Arga¤a como vice. Os governistas colorados necessitam de mais tempo para disputar as eleições. Já Oviedo exige o mesmo que oposição e agora a Igreja Católica: que se respeite a data fixada para a votação, ou seja, 10 de maio.
Na sexta-feira à noite se reuniram os bispos paraguaios, o presidente do Congresso, o presidente da República e os presidentes dos partidos políticos para discutir a crise. Ao contrário do que o governo e a cúpula do Partido Colorado esperavam, a Igreja Católica se pronunciou a favor do respeito institucional. Os representantes da Igreja Católica expressaram claramente que qualquer mudança será atentar contra a legalidade e contra as instituições.
O problema interno do partido governista, no poder há mais de 50 anos, transita na justiça ordinária e na justiça eleitoral, esta última fora do controle e influência do hegemônico Partido Colorado. Os setores derrotados nas últimas eleições internas deste partido questionam a validade das atas eleitorais nas primárias e os padrões a serem utilizados na votação de maio. A lei estabeleceu que as supostas fraudes com a adulteração das atas não são motivo de impugnação dos resultados e a confiabilidade dos padrões foi certificada por técnicos da Organização dos Estados Americanos (OEA).
A cinquenta dias das eleições o país não vive o clima eleitoral, exceto nos tribunais e nos espaços políticos na imprensa. A Aliança Democrática, com a candidatura do economista Domingo Laíno e do médico Carlos Filizzola, está segurando claramente a propaganda eleitoral ante a falta de clareza sobre a data das eleições. Apesar de ainda estar preso, Oviedo lidera as pesquisas de intenção de votos, mesmo com o crescimento da candidatura Aliança Democrática, que está a 8 pontos percentuais do candidato colorado.


