Igreja Ortodoxa pede saída de Milosevic
Associated Press
Angustiada com o fluxo de tropas e civis sérvios saindo às pressas de Kosovo, a Igreja Ortodoxa Sérvia pediu ontem ao presidente Slobodan Milosevic para renunciar pelo bem do povo. Enquanto isto, refugiados albaneses começaram a retornar em massa para suas casas.
Centenas de rebeldes do Exército de Libertação de Kosovo (ELK) emergiram de florestas no centro de Kosovo e voltaram a vilas arruinadas pela guerra de 11 semanas e a violência étnica, e fizeram uma demonstração de força marchando armados pelas ruas. Nas proximidades de Pristina, tropas britânicas receberam ordens de recuar depois que rebeldes fortemente armados disseram que iriam resistir a qualquer tentativa de desarmá-los.
Albaneses étnicos que haviam fugido da violência cruzaram em massa a fronteira a partir da Macedônia e Albânia, apesar de advertências de agências internacionais de que a província sulista sérvia ainda era perigosa. Dois refugiados morreram em explosões ao cruzarem campos minados.
Enquanto refugiados retornavam em massa do sul e oeste, as rodovias levando ao norte estavam congestionadas de sérvios - tanto soldados iugoslavos saindo sob os termos do acordo de paz quanto civis temorosos de ataques revanchistas devido à sangrenta violência étnica.
Mais indícios da feroz violência emergiram ontem: a mão de um corpo saindo de uma vala comum na beira de uma estrada nas proximidades de Djakovica, no sudoeste de Kosovo, onde residentes dizem poderia haver até 150 corpos de vítimas da agressão sérvia. Vinte corpos carbonizados também foram encontrados numa casa em outra vila não muito distante. Residentes de uma vila nos arredores de Pristina afirmaram ter enterrado 30 residentes abatidos em vários ataques de soldados e franco-atiradores sérvios. Sérvios infligiram danos finais em Kosovo mesmo enquanto partiam. Ao longo de uma rodovia fora de Pristina, várias casas foram incendiadas por perambulantes soldados sérvios.
Horas depois a rodovia estava cheia com centenas de tanques e veículos blindados se dirigindo à toda velocidade para a Sérvia. Entre os veículos militares estavam carros e caminhões civis puxando reboques cheios de bens domésticos e mesmo gado.
A retirada de Kosovo é um duro golpe para o orgulho Sérvio. Apesar de os sérvios constituírem, antes da guerra, apenas 10% da população de Kosovo (2,1 milhões), a província é o coração simbólico da Sérvia, cheia de locais históricos e de algumas das construções mais sagradas da Igreja Ortodoxa Sérvia.
O significado emocional e religioso de Kosovo dá peso ao chamado da igreja pela renúncia de Milosevic. A igreja não tem o poder de forçar a remoção, mas ela é a mais importante instituição a pedir sua renúncia. Apelando a toda pessoa sensível, a igreja afirmou: Exigimos que o atual presidente do país e seu governo renunciem no interesse do povo e de sua salvação.
Milosevic, cuja ascensão ao poder na década de 80 foi em muito devido à sua defesa da minoria sérvia de Kosovo, tem estado sob crescente pressão desde que o acordo de paz forçou a retirada de seu exército e polícia e a entrada de uma força de paz internacional de 50 mil componentes.
A polícia sérvia deveria desocupar sua sede em Pristina por volta da meia-noite de ontem e todas as forças devem estar fora de Kosovo até a noite de domingo.
O Exército de Libertação de Kosovo movia-se para áreas-chaves da províncias. Os membros do ELK, armados, também tomaram bairros albaneses étnicos de Prizren, a segunda cidade de Kosovo, e marcharam pelo centro da cidade com armas em punho. Forças alemãs que fazem parte da tarefa internacional afirmaram que o ELK estão com o controle total da província.
Segundo o Centro de Mídia de Pristina, membros do ELK atacaram aldeãos sérvios em uma localidade a 20 km a sudoeste da capital, ferindo várias pessoas. A informação, entretanto, não pôde ser confirmada por fontes independentes.A Otan enfrenta a realidade da guerra: a violência de albaneses étnicos e sérvios e a crescente sede de poder de guerrilheiros do ELK
France PressNovo problemaRebeldes do Exército de Libertação de Kosovo exibem suas armas e já desafiam a autoridade da Kfor





