São Paulo - A arquidiocese alemã liderada pelo papa Bento 16, então cardeal Joseph Ratzinger, ignorou repetidos alertas de um psiquiatra, no começo dos anos 1980, de que um padre acusado de abusar sexualmente de meninos não deveria mais trabalhar com crianças, afirmou o médico ao jornal ''New York Times''.
Na década em questão, Bento 16 era arcebispo das cidades de Munique e Freising e envolveu-se na decisão de enviar um padre acusado de pedofilia para tratamento em Munique. O padre já tinha sido transferido da diocese de Essen, após reclamações de pais.
Mesmo após sua condenação, em 1986, o padre continuou trabalhando com coroinhas e só foi suspenso na última segunda-feira. ''Eu disse ''pelo amor de Deus, ele precisa desesperadamente ser afastado do trabalho com crianças'', disse o psiquiatra Werner Huth, segundo o jornal norte-americano. ''Estava muito descontente com a história toda.''
O médico estava tão preocupado que impôs três condições para tratar do padre, identificado como reverendo Peter Hullermann, hoje com 62 anos. As condições eram que ele fosse mantido afastado de jovens e álcool, e supervisionado por outro padre o tempo todo, informa a reportagem. Os alertas do psiquiatra teriam sido tanto orais quanto escritos, mas mesmo assim a Igreja permitiu que o padre voltasse ao trabalho na paróquia após ter começado seu tratamento.

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