Igreja faz apelo em Angola
Associated Press
De Luanda
Bispos católicos de Angola repreenderam duramente o governo e rebeldes da Unita pela continuidade de uma prolongada guerra civil que, segundo eles, matou 1.000 pessoas em apenas uma cidade nos últimos meses.
O conflito tem se tornado duplamente mortal - ele mata com armas e mata com a fome, afirmou o colégio dos bispos de Angola num documento divulgado ontem em Luanda.
Desde que os combates foram retomados em dezembro na guerra civil de 25 anos, os rebeldes têm forçado a população rural a fugir de suas vilas para buscar abrigo em superlotadas cidades controladas pelo governo, como Huambo, Kuito e Malanje. Estoques de alimentos nessas cidades estão acabando e têm sido noticiados casos de extrema malnutrição entre crianças.
Combates e emboscadas em rodovias também têm virtualmente cortado toda a ajuda humanitária para a maioria das províncias deste vasto país do sudoeste da África.
Ataques indiscriminados contra civis e trabalhadores humanitários são atos de banditismo covarde, afirma o comunicado, referindo-se tanto ao governo quanto à Unita.
Analistas dizem que não há dados confiáveis sobre o total de vítimas desde a retomada das lutas no ano passado, quanto um pacto de paz de quatro anos naufragou.
O número de deslocados internos é estimado em 1.6 milhão, num país de 11 milhões de habitantes.
Os bispos também condenaram os dois lados por amealhar fortuna às custas da fome, sofrimento, sangue e morte de seus irmãos.
Apesar de suas riquezas naturais, Angola é um dos 15 países mais pobres do mundo, segundo o Índice de Desenvolvimento Humano da ONU.
O petróleo é a maior fonte de renda do governo, enquanto estima-se que a Unita tenha coletado entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões com a venda de diamantes desde 1992.
O governo e a Unita (União Nacional pela Indenpendência Total de Angola), estão em guerra desde que Angola tornou-se independente de Portugal em 1975.





