Igreja em luta contra a ditadura
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de março de 1998
Jacques Pinto France Presse 
O Papa João Paulo II encontrará na Nigéria uma Igreja Católica na primeira linha da luta contra a ditadura do general Sani Abacha, último líder de mais de 30 anos de quase ininterrupto poder militar.
Desde que o Exército anulou as eleições presidenciais de 12 de junho de 1993, impedindo o ansiado retorno à democracia, os bispos católicos se lançaram ao combate contra a ditadura. Trinta e oito anos depois de sua independência, a Nigéria, nação mais povoada da África, com mais de 100 milhões de habitantes, só teve curtos governos civis e há 32 anos vive de forma praticamente contínua sob as botas militares.
A corrupção, que os sucessivos governos militares prometeram erradicar, continua solapando todos os níveis do Estado e desvia as imensas riquezas petroleiras do país em benefício de um punhado de privilegiados. Nas vésperas da chegada do Sumo Pontífice, a Conferência de Bispos Católicos da Nigéria (CBCN) pediu a libertação dos presos políticos que há anos povoam os cárceres e denunciou o estado de degeneração em que, segundo ela, se encontra a sociedade nigeriana há demasiado tempo.


