Igreja diz que limbo é improvável
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sexta-feira, 20 de abril de 2007
Folhapress 
São Paulo - O Vaticano publicou ontem um documento afirmando haver base para a ''esperança de que as crianças não batizadas sejam salvas'' -ou seja, há boas razões para crer na salvação dos pequenos que morrem antes de receber o batismo.
O início dessa discussão no âmbito da Comissão Internacional de Teologia, da Santa Sé, veio a público no fim de 2005, vinculada à dúvida sobre a existência do limbo. A conclusão a que chegou a comissão, um corpo consultivo da Congregação para a Doutrina da Fé, é a de que o mais provável é que o limbo não exista.
Incorporado aos ensinamentos da Igreja Católica no século 13, o limbo é o lugar para onde vão as crianças que morrem antes de receber o batismo. É um lugar onde não haveria sofrimento, dado que a criança não foi condenada, mas também não é o paraíso, que implica a comunhão com Deus.
O destino dessas crianças revelou-se um problema teológico porque, por um lado, é difícil aceitar que uma criança possa ser condenada apenas por não ter sido libertada do pecado original. Por outro, se a salvação vem mesmo sem o batismo, para que batizar a criança?
A conclusão a que os 29 membros da comissão chegaram, e que foi ratificada por Bento 16, é justamente a de que, muito possivelmente, a criança morta antes do batizado será salva -vai para o paraíso. A justificativa, segundo o site ''Catholic News Service'', é que ''a exclusão de bebês inocentes do paraíso não parece refletir o amor especial de Cristo pelos pequeninos''.
''Deus pode, portanto, dar a graça do batismo sem que o sacramento tenha sido administrado'', afirma o documento, intitulado ''A Esperança de Salvação para Crianças que Morrem sem Ser Batizadas''.
Mas, a fim de não desvalorizar a importância do batismo para a doutrina católica, o texto de 41 páginas esclarece que isso não é motivo para que os pais da criança adiem a administração do sacramento. O documento reafirma a idéia de que a pessoa nasce com o pecado original e enfatiza que ''há esperanças de que Deus salvará essas crianças justamente porque não era possível fazer por elas o mais desejável, batizá-las''.
O texto da comissão teológica afirma ainda que ''a igreja não tem conhecimento absoluto sobre a salvação das crianças não batizadas'', já que não há nas escrituras referência explícita sobre isso -daí o emprego do termo ''esperança''.


