Igreja deverá enfrentar temas polêmicos
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domingo, 17 de abril de 2005
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Papa a ser eleito pelo Conclave terá um grande desafio pela frente. Além de manter a posição progressista de João Paulo II frente às questões sociais, terá que saber lidar com as necessidades e expectativas da sociedade atual. Isso inclui dialogar com a sociedade científica sobre assuntos como a biotecnologia e uso de embriões para pesquisa; com outras religiões, em especial a islã; com a Cúria Romana, e setores políticos.
É esse o perfil do novo Papa, de acordo com a expectativa de três professores especialistas no assunto e um estudante de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/PR). Todos são unânimes, ainda, em ressaltar a necessidade de que o novo Papa deve priorizar a erradicação da pobreza no mundo. ''O Papa não pode ignorar a questão da pobreza, da fome. É um escândalo ver que ao mesmo tempo em que o mundo se desenvolve com novas tecnologias, tanta gente continue morrendo'', avalia a religiosa Dagmar Haj Mussi. O estudante de Teologia César Augusto Kusma completa, citando a necessidade de uma intervenção mais política. ''Na política, temos lados fortes, que assustam, democracias que se tornam ditaduras, levando à miséria, à opressão'', diz.
Para o teólogo Mário Antônio Betiato, ex-diretor do curso de Bacharelado em Teologia, o trabalho realizado por João Paulo II na área social e em questões como a dignidade humana é irreversível. ''O próximo Papa terá que primar pelo pluralismo da sociedade. Essa situação é irreversível. O próximo Papa não volta mais atrás, mas é preciso solidificar mais essa questão'', avalia.
''É importante ver quem vai dialogar com os islãs? Tem o bispo da Nigéria, Francis Arinze, que tem bom trânsito com o mundo islâmico. Quem vai dialogar com a Cúria Romana, para que ela abra mais a mão? Tem o Joseph Ratzinger. Tem também o problema da Europa. Enfim, cada vez mais há complexidade com o mundo, e é preciso maior colaboração com o Papa'', avalia o pároco Patrick Francis O'Neil, da Paróquia Universitária Jesus Mestre.
O pároco chama atenção, ainda, para outros pontos. ''Os avanços da ciência obrigam a Igreja a olhar em diferentes posições. Não adianta a Igreja dizer que vai ou não abrir mão'', diz, citando como exemplo a polêmica sobre o uso de células-tronco de embriões. Kusma chama atenção, ainda, para a importância das nomeações de cargos de confiança que ficarão a cargo do futuro Papa. ''Não adianta o Papa ir para um lado e a Igreja não seguir'', fala.
''Que a verdade brote do diálogo com todos os lados'', finaliza o teólogo Betiato, e a religiosa Dagmar completa: ''Ele terá que ser humilde, escutar vários lados e tomar posição. E há momentos em que é preciso tomar uma decisão sem se importar com as reações''.


