Igreja de Cuba recusa tática de Helms
Igreja de Cuba recusa tática de Helms
Conferência dos Bispos cubana defende fim definitivo do embargo econômico imposto pelos EUA e mudanças radicais na ilha
Ednelson Alves
Especial para a Folha
Para enfraquecer o governo de Fidel Castro e fortalecer as instituições independentes, o Congresso dos Estados Unidos aprovou o envio de US$ 100 milhões, durante quatro anos, de ajuda a Cuba em forma de alimentos e remédios. A ação foi anunciada pelo senador republicano da Carolina do Norte, Jesse Helms, o mais ferrenho adversário da política de Havana. Quando informou sobre os donativos, Helms disse que tudo será enviado para a Igreja Católica cubana, que ficaria encarregada da distribuição para as comunidades mais carentes.
Mas a Conferência dos Bispos de Cuba anunciou ontem que não participará dessa estratégia do Congresso americano. Na mesma nota, os religiosos agradeceram a ajuda que tem chegada de pessoas e empresas norte-americanas. O cardeal Jaime Ortega disse que esta suposta ajuda não concorda com o chamado feito pelo Papa João Paulo II em sua visita a Cuba, quando pediu o fim do embargo.
Para a cúpula católica, mais importante que doações esporádicas é o fim definitivo do embargo contra Cuba, maior causador da pobreza no país. Assim como pede mudança na política dos Estados Unidos, os religiosos também querem transformações radicais em Cuba, reivindicadas pelo papa durante sua visita ao país. A leitura política que se pode fazer do gesto de Jesse Helms é de que todos os embargos impostos contra o governo de Castro estão para ser suspensos. Se até os extremistas republicanos começam a amenizar suas posições em relação a política de Havana, os democratas que apóiam o presidente Bill Clinton não devem perder essa oportunidade histórica para impulsionar o fim das barreiras contra Cuba.





