Igreja confirma morte de 50 pessoas no Congo
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domingo, 19 de maio de 2002
Agência EFE 
Kinshasa - Pelo menos 50 pessoas, 33 delas civis, morreram esta semana durante um motim de um grupo rebelde que controla a cidade de Kisangani, no nordeste da República Democrática do Congo (RDC), comunicaram ontem fontes da Igreja católica em Kinshasa.
Lamentamos e condenamos todo tipo de violência, especialmente quando é dirigida à população civil, disse o arcebispo de Kisangani, Laurent Monsengwo, num sermão pronunciado na catedral da cidade, que é controlada pelo Agrupamento Congolês para a Democracia (ACD).
Vinte altos comandantes da ACD, que é apoiada pela vizinha Ruanda em sua rebelião contra as autoridades congolesas, se sublevaram na terça-feira contra os líderes do movimento, invadiram uma emissora de rádio e fizeram um pedido à população civil para expulsar os invasores ruandeses.
Aparentemente, mil pessoas responderam à convocação e se manifestaram pelas ruas da localidade, onde lincharam e queimaram vivos diversos simpatizantes da ACD, cujos milicianos abriram fogo contra a multidão.
Outras versões, não confirmadas, indicam que os efetivos do grupo rebelde foram de casa em casa e executaram sumariamente os comandantes do motim.
Monsengwo disse que sacerdotes identificaram alguns cadáveres que foram resgatados do rio Thsopo, dos quais 17 são de combatentes dos grupos e o restante é de civis.
O arcebispo disse que o número de mortos poderá aumentar, já que, pelo menos outras 50 pessoas continuam em local desconhecido depois do final do motim.
A rebelião foi confirmada também em Kisangani por porta-vozes da Missão de Observação da ONU na RDC (Monuc) e organizações não-governamentais que trabalham na região.
O presidente congolês, Joseph Kabila, acusou o exército ruandês de executar os comandantes rebeldes rebelados, mas as autoridades de Kigali negaram a ação dizendo que suas tropas nem sequer estão na área.
As autoridades congolesas são apoiadas por Angola, Namíbia e Zimbábue, que enviaram tropas para conter os rebeldes quando estes estavam a ponto de tomar a capital, o que mantêm desde então o equilíbrio militar no antigo Zaire.


