Igreja católica pune Wasmosy e Oviedo
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de janeiro de 1998
Hugo Ruiz Olazar, France Presse Assunção 
France PresseJogo de gato e rato entre presidente e o dissidente Lino Oviedo é duramente criticado pela IgrejaA influente Igreja Católica paraguaia, da qual é adepta 90% da população, se pronunciou recentemente contra as querelas políticas no Paraguai que põem em risco sua frágil democracia, abandonando a prudência que observou durante o período de transição.
A Igreja Católica anunciou publicamente em uma missa celebrada na presença do presidente Juan Carlos Wasmosy e de dezenas de milhares de pessoas reunidas na festa da Virgem de Caacupé (Patrona do Paraguai), em 8 de dezembro passado, o início de sua campanha de cidadania Só nós podemos fazê-lo, carregada de ceticismo em relação à classe política.
Representando todos os bispos do Paraguai, mosenhor Claudio Giménez, acusou os dois homens mais influentes do país, o presidente Wasmosy e seu arquirival e candidato a presidente do partido oficial Colorado, o general da reserva Lino Oviedo, de brincar de gato e rato. Desde 14 de dezembro passado, o chefe de Estado mantém Oviedo preso, punido por indisciplina militar, depois deste ter declarado que Wasmosy era corrupto.
Referindo-se à disputa entre os dois políticos, o monsenhor Giménez disse que ninguém pode explicar tamanha irresponsabilidade fora do cálculo racional para denunciar em seguida o desgoverno reinante, enquanto se debate no país sobre problemas econômicos e sociais extremamente graves.
Os bispos instaram a cidadania a refundar a República para salvar o país do reino da mentira, da violência, da fraude, dos roubos, das riquezas mal-adquiridas e o reinado do velho e do corrupto. Wasmosy se disse irritado e afirmou que os prelados lhe faltaram com respeito.
Tanto analistas políticos quanto diplomatas e a cidadania em geral coincidem em que a vinda para o Paraguai do papa João Paulo II, em maio de 1988 por apenas três dias, foi suficiente para fazer cambalear e derrubar em menos de um ano a ditadura do general Alfredo Stroessner (1954/89).
Os políticos homenagearam em várias oportunidades a Igreja por ter-se tornado na última década da ditadura em verdadeira vanguarda da resistência. Apesar de a Constituição democrática de 1992 tenha separado oficialmente Igreja e Estado, muito poucos são os políticos que se atrevem a contradizer suas opiniões, sabendo de sua grande influência na população.


